Cheio de estilo, jovem cineasta Xavier Dolan faz filme sobre a dor e a delícia de se apaixonar

Por Paulo Floro

Considerado um prodígio dentro da cena independente do cinema e uma promessa para a indústria, o cineasta canadense Xavier Dolan, de 23 anos, fez um delicado filme sobre como idealizamos o amor. Mas, ainda que a história de um triângulo amoroso pós-adolescente não seja algo exatamente inovador, ele chama muita atenção pelo seu estilo arrojado quase videoclíptico de narrar a história de seus personagens.

Dolan é nervoso e empolgado em seu ofício. Isso fica claro no filme, onde ele assina produção, roteiro, direção e até figurino. Também é o protagonista. Ao lado de sua amiga, Marie (Monia Chokri, ótima), ele inicia uma paixão platônica por um rapaz jovem, loiro e bonito chamado Nicolas (Niels Schneider). Ambos idealizam um romance e vão montando aos poucos uma armadilha de se apaixonarem por alguém que, no fundo, só existe na cabeça deles. Um amor imaginado.

Dolan mistura diversas referências do cinema, sobretudo Jean-Luc Godard, música, artes plásticas e literatura. E constrói um universo muito plastificado, quase teatral, cheio de cores e cenas ensaiadas e em câmera lenta, que fazem do filme uma experiência interessante. Alguns poderão achar entendiante e até mesmo esnobe esses delírios visuais, mas mostra já ousadia de um diretor tão precoce.

Os Amores Imaginários é interessante também por ter sido feito por um jovem falando de sua própria geração, algo muito incomum de se ver no cinema. Além do trio principal, Dolan ainda deu voz à pessoas em uma série de entrevistas colocadas no meio do filme, sem ligação direta nenhuma com a trama.

Filmado no Québec em 2009, o filme custou a bagatela de 600 mil dólares e foi selecionado para a mostar Um Certo Olhar, de Cannes em 2010. O seu primeiro trabalho, feito aos 19 anos também foi para a riviera francesa. Eu Matei A Minha Mãe, sobre um adolescente em conflito com sua sexualidade foi exibido na Quinzena dos Realizadores. Estreou em menos de 20 salas no Canadá, mas ganhou atenção da crítica especializada, que passaram a seguir atentos os passos do jovem diretor.

O longa chegou com muito atraso nos cinemas do Recife, com exibição no Cinema da Fundação. Vamos aproveitar essa gênese ainda radical de um cineasta que tem muito potencial. Se continuar com essa inspiração, Xavier Dolan ainda deve trazer muitas surpresas para as telas.

OS AMORES IMAGINÁRIOS
Xavier Dolan
[Les amours imaginaires, CAN, 2010]
Festival Filmes

Nota: 8,2

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