Queridinho no Folk que esteve no Brasil recentemente mistura gêneros em novo disco
Por Mariana Mandelli

CONOR OBERST
Conor Oberst
[Merge , 2008]

Conor Oberst é daqueles caras que não conseguem parar de criar. Mesmo nesses quase treze anos sem lançar um álbum solo – The Soundtrack to My Movie, o último, foi lançado em 1996 -, ele criou e participou de diversos projetos paralelos, dos quais o Bright Eyes é o mais conhecido e amado no mundo alternativo. Depois de uma passagem tímida pelo Brasil, em que fez dois shows deliciosos e quase particulares em São Paulo, Conor resolveu dar fim ao hiato e lançou seu quarto disco, intitulado simplesmente como Conor Oberst.

Considerado um dos meninos mais queridinhos do folk rock alternativo, Conor traz, em seu novo álbum, canções angustiantes e baladas saborosas. Acompanhado da The Mystic Valley Band – que também veio ao Brasil – e não das bandas de seus outros projetos, como Commander Venus, Desaparecidos, Park Ave. e o próprio Bright Eyes, o compositor misturou doses generosas de country, folk e rock em um pouco mais de 40 minutos de composições e melodias certeiras.

Fã confesso de Neil Young e Leonard Cohen, além de reunir influências de Johnny Cash e do mestre supremo Bob Dylan, Conor faz jus à alcunha de “sad boy with a guitar” já na faixa de abertura, “Cape Canaveral”, que dá o tom acústico do disco. Sua obsessão pelos desamores e pela solidão se perpetua em faixas introspectivas baseadas em voz e violão como “Get-Well-Cards”, “Lenders In The Temple”, “Eagle On A Pole” e na lindíssima “Milk Thistle”.

Entretanto, Conor não é mais aquele garoto atormentado e perdido em meio a suas agonias e desesperos. Mais sereno, a impressão que se tem é a de que ele aprendeu a domar os traumas e a lidar com seus próprios fantasmas, sem perder a sinceridade e o tom confessional que impõe às suas letras poéticas. Por isso, faixas como “Sausalito”, “Danny Callahan”, “Souled Out!!!” e “Moab” (que tem o verso otimista “there’s nothing that the road cannot heal”, algo como “não há nada que a estrada da vida não cure”) trazem menos dor e mais prazer, como se o compositor estivesse descobrindo tudo à sua volta novamente. A quase frenética e bem humorada “I Don’t Want To Die (In The Hospital)” e o country rock de “NYC – Gone, Gone” demonstram exatamente essa sensação vívida e quase luminosa que permeia o álbum, contrastando coma escuridão angustiante dos trabalhos anteriores.

Conor Oberst (o disco) só prova, mais uma vez, o talento peculiar como compositor e como bom contador de histórias de Conor, que consegue brilhar sozinho e em qualquer o projeto musical em que esteja envolvido. O novo álbum é um dos melhores de sua carreira e, seguramente, um dos melhores de 2008.

NOTA: 8,0

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