Clarah Averbuck (Foto: Edson-Kumasaka/ Divulgação)

TODOS MEUS NOMES
Clarah Averbuck ganha novos holofotes no mundo pop com o lançamento de Nome Próprio, filme baseado nos seus escritos
Por Lidianne Andrade

Talvez o release (texto base, jornalístico, distribuído a imprensa para fornecer informações) em seu blog tenha razão: a literatura estava tendo um rebuliço no Brasil com a chegada de Clarah Averbuck. As palavras usadas podem soar exageradas, e agora o cinema. Mas quem dirá será o público no dia 18 de julho, quando estréia no cinema Nome Próprio, filme do cineasta Murilo Salles inspirado no livro, Máquina de Pinball, da blogueira Clarah Averbuck.

Segundo os que a conhecem pessoalmente, dizem ser Camila um pseudônimo de Clarah. O filme conta a história da também blogueira Camila (Leandra Leal), que escreve tudo o que sente e sonha ser escritora. Camila tem uma personalidade frágil, indo de altos e baixos com grande facilidade, tudo registrado nos textos. Salles faz questão de alertar que não se trata uma biografia de Clarah Averbuck, mas as semelhanças são incontestáveis. O filme, além de um marco para a carreira da escritora, também marca a do diretor: foi o primeiro filme brasileiro rodado inteiramente em formato digital. Foi concebido a partir do Edital de Baixo Orçamento do Ministério da Cultura (MINC), pelo qual cinco filmes recebem, anualmente, R$ 1 milhão cada, mais o prêmio de R$ 200 mil que Murilo Salles ganhou da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Serão 14 cópias exibidas em diversas salas de São Paulo e aqui no Recife tem sessão prometida no Cinema da Fundação.

Nascida Clara em 26 de maio de 1979, em Porto Alegre, adicionou o H como um charme ao nome. Estudou jornalismo e letras (apenas um período de ambos), não era muito adepta da sala de aula, e terminou o segundo grau por supletivo. Nada impediu que a escritora se tornasse uma das mais representativas de sua geração.

Sua trajetória para o mundo da literatura foi conturbada. Seus primeiros textos vieram pela Internet. Em junho de 98, escreveu pela primeira vez para a Não-til, a revista digital da Casa de Cinema de Porto Alegre. Um tempo depois tornou-se colunista do CardosOnline, que durou até 2001 e revelou escritores como Daniel Galera e Daniel Pellizzari. Seu primeiro blog foi o brazileira!preta, no ar em setembro de 2001, um dos primeiros a ganhar relevância no mundo digital e um dos mais lidos e “linkados”. Quando em atividade, chegou a ter mais de 1800 acessos diários. Não foi o Blogspot que a tirou, mas ela mesma. “Enchi o saco, cansei e não tava mais a fim de escrever lá. Depois fiz um blog escondido”, contou em entrevista a Ramon Mello, escritor e blogueiro, disponível no You Tube.

Antes da página virtual, no entanto, veio o que hoje é um dos marcos na sua carreira: Máquina de Pinball, escrito logo após sua mudança para São Paulo, em julho de 2001. O livro logo ganhou um pequeno culto e teve até versão para o teatro, mas Clarah não curtiu muito: “Odiei. Eu estava grávida e quase pari de desgosto.” O maior contragosto foi a interpretação: “atriz também não era boa, ficava dando piruetas no monólogo. Tudo com a entonação errada: quando era pra ser blasé ela gritava, e quando era pra gritar ela era blasé.” Máquina de Pinball (Editora Conrad ), disponível na internet em PDF, foi apenas o começo de sua história na literatura. O lançamento teve tarde de autógrafos, com um “C” em 3 mil livros. Clarah tentou trazer Lobão para a festa, mas foi censurada. A censura, claro, virou post do blog.

Atualmente com mais dois livros publicados, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante e Vida de Gato, os projetos não param: está com quatro livros em andamento: Toureando o Diabo (romance), Eu Quero Ser Eu (novela infanto-juvenil. contemplada pelo Programa Petrobrás Cultural), Cidade Grande no Escuro (crônicas) e Nossa Senhora da Pequena Morte, em parceria com Eva Uviedo (que antes se chamava “Delírio de Ruína”, e era uma parceria com a estilista Rita Wainer).

Clarah Averbuck (Foto: Spider Jerusalém/ DIvulgação)

Confira no link abaixo a entrevista que Clarah concedeu a O Grito!. Mas, antes, ela fala sobre um dos assuntos mais recorrentes sobre sua vida e carreira, o seu início nos blogs.

“Só pra avisar, eu não respondo perguntas sobre blogs. Eu não dou entrevistas sobre blogs nem participo de trabalhos de faculdade sobre blogs. Eu simplesmente não agüento mais essa baboseira de blogs. Chega. Blog não passa de um meio de publicação. O autor do blog, dono e soberano do blog, faz o que bem entender com seu blog. Não existe literatura de blog. Não existe escritor de blog. Blogueiro não é escritor. Escritor não é blogueiro. Não existe escritor de blog. Existe blog enquanto meio de publicação para um escritor. Escritor é escritor. Escritor não é blogueiro. Não sei nada sobre o fenômeno blog. Sequer acho que seja um fenômeno. Nunca mais respondo nenhuma pergunta sobre blog. Por favor, não me incomodem com essas coisas. Sou uma grávida tensa, isso não faz bem. Sem mais.”

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