A VIDA DOS OUTROS
Florian Henckel von Donnersmarck
[Leben der Anderen, Alemanha, 2006]

Por 49 anos (de 1950 a 1989) a Alemanha Oriental viveu sob a escuta da opressiva Stasi – reconhecida internacionalmente como um dos serviços de inteligência mais eficientes que o mundo já desenvolveu. O órgão foi a polícia secreta da antiga República Democrática Alemã (RDA) que vivia sob a bandeira do socialismo, com o favorecimento dos altos oficiais e fazendo com que a liberdade de pensamento fosse vigiada sob qualquer condição. É nesse contexto que se desenvolve a trama de A Vida Dos Outros especificamente no sugestivo ano de 1984, ano do big brother de Orwell. No filme Gerd Wielsler (interpretado por Ulrich Mühe) é um agente da Stasi e que é incubido de monitorar a vida do dramaturgo Dreyman. Nesse percurso ele acaba se fascinando pela história de seu suspeito e passa a redigir relatórios falsos e ocultar provas afim de salvar seu “amigo”. O filme, apesar de heroificar a vida do agente da Stasi, tornou-se um dos longas mais premiados dos últimos anos. Além do Oscar 2007, como melhor filme estrangeiro, recebeu outras 55 estatuetas mundo afora. Este foi o último trabalho de Mühe que morreu há pouco menos de um ano em decorrência de um câncer no estômago. E ele mesmo foi vítima da Stasi já que foi denunciado pela ex-mulher durante o antigo regime. [FA]

NOTA: 8,0

A ÚLTIMA HORA
Leila Conners Pettersen e Nadia Conners
[The 11th Hour, EUA, 2007]

Produzido e narrado por Leonardo Di Caprio, A Última Hora serve de severo complemento ao oscarizado documentário de Al Gore, Uma Verdade Inconveniente. Mas sem nenhum vínculo formal entre as duas obras. Diferente do filme de Gore, Di Caprio reúne depoimentos de 50 pensadores modernos (Mikhail Gorbachev, Stephen Hawking, Wangari Maathaí, William McDonought, entre outros) que discorrem sobre a confluência de fatores que resultaram no colapso ambiental analisando as possibilidades de reversão desse quadro caótico. O doc mais se aproxima com um complemento ao filme de Al Gore, mas agora sem concisão narrativa e a norcisa mensagem de que seremos exterminados à qualquer momento. O otimismo permeia toda a produção. Parcialíssimo o filme também não oferece pontos-de-vista contrários e todos os que acreditam que o aquecimento global é um exagero, ou mesmo uma farsa. Bem, o calor está batendo à nossa porta! [FA]

NOTA: 4,5

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