Ótima oportunidade de compreender Senna, mesmo que só um pouco

Por Marco Vieira

Toda criança que assistia a Globo até a metade dos anos 1990 tinha alguma noção vaga do mito de Ayrton Senna. Pois agora surge um documentário que esclarece, ou melhor, dramatiza o mito que levou milhões de brasileiros a adorá-lo, a tê-lo como ídolo, a melhor coisa que o Brasil já produziu. Dirigido por um estrangeiro, o britânico Asif Kapadia, utilizando filmagens de corridas narradas em inglês, bastidores e entrevistas, esse documentário é o melhor retrato já feito do ídolo, e merece ser visto por todos que desejam compreendê-lo, mesmo que um pouco.

A narrativa vai desde a época que Senna dirigia karts, prodígio já então, com muitas costelas quebradas, mas firme em seu objetivo de chegar a Fórmula 1. Não foi fácil. Inicialmente, ele não tinha um carro competitivo, mas mesmo assim, especialmente quando chovia, Ayrton dava um show, com tempos e ultrapassagens espetaculares, manobras arriscadas, que enlouqueciam seus adversários.

A rivalidade entre Proust e Senna é central no filme de Asif Kapadia, com várias entrevistas, trocas de farpas e evolução da relação entre os dois mostrada em detalhes. O documentário teve excelente bilheteria na sua estreia em Londres, capital do país amante da Fórmula 1, com muitos fãs do brasileiro, considerado o melhor piloto de todos os tempos por muitas pessoas importantes no meio.

Ayrton era carismático, tinha projetos sociais, namorou a Xuxa, a Adriane Galisteu, era enfim, um ídolo completo. Você pode ver tudo isso em detalhes no filme vencedor do prêmio do júri popular no Festival de Sundance, lançado em DVD no Brasil em janeiro de 2011 e que chega agora em Blu-Ray, mas que porém ganhou pouca notoriedade por aqui.

As cenas que precedem o fatídico acidente são de uma tensão indescritível. É como reviver o momento pelo qual milhões de brasileiros aflitos passaram em 1994. A competência do diretor é tamanha que nos sentimos transportados para aquele momento do acidente. Senna está morto, mas sua imagem ainda vive no nosso imaginário, e justifica em grande parte o prosseguimento das carreiras dos pilotos brasileiros na Fórmula 1. O legado de Ayrton é imensurável.

SENNA
Asif Kapadia
[ING, 2010]

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