Albert Hammond, Jr. (Foto: Lane Coder/ Divulgação)

ALBERT HAMMOOND, JR.
¿Cómo Te Llama?
[RCA, 2008]

Quando o disco Yours To Keep (2006) foi anunciado como projeto solo de Albert Hammond Jr., responsável pela guitarra base dos Strokes, muita gente ficou surpresa. Afinal, se algum membro de uma das bandas mais queridas do indie rock tivesse que lançar uma carreira paralela, as apostas recairiam sobre o vocalista Julian Casablancas.

O álbum foi lançado e agradou fãs e não-fãs dos Strokes, além de ser elogiado pela crítica especializada. Agora, todo este hype foi posto à prova: ¿Cómo Te Llama?, segundo disco da banda, acaba de ser lançado.

Misturando a sonoridade dos solos de bandas setentistas, garage rock e pop dos anos 60 (com referências à obra sinfônica de Brian Wilson), além de outros ritmos, experimentações e efeitos, o grupo conseguiu fazer um segundo trabalho charmoso. O rock menos direto, que mistura acordes acelerados e lentos, alternando o peso e a delicadeza das guitarras, cria climas nas faixas – caso de “Bargain Of A Century” e “Rocket”.

A descontração, com bateria marcada e riffs divertidos fica por conta de “GfC”, “The Boss Americana” e “Victory At Monterey”, enquanto nota-se guitarras carregadas de melancolia em melodias etéreas, como acontece em “You Won’t Be Fooled By This”, “Spooky Couch” (instrumental em que Sean Lennon toca piano), “Miss Myrtle” e “Feed Me Jack Or: How I Learned To Stop Worrying And Love Peter Sellers” (ótimo título por sinal).

Hammond alça vôos mais arriscados com pitadas de reggae nas surpreendentes “Borrowed Time” e “G Up”. O resultado é louvável, mas o melhor de ¿Cómo Te Llama? está em “In My Room” e “Lisa”. A primeira lembra Strokes com riffs alarmantes, letra saudosita e pegada irresistível. Já a segunda, verdadeira pérola do álbum, tem batidas eletrônicas, efeitos sonoros, piano e orquestrações (como violinos, por exemplo) que fazem dela uma verdadeira sinfonia indie que por si só já vale o disco.

¿Cómo Te Llama? é um bom disco, homogêneo e experimental. Falta o brilho entusiasmante e o potencial de seu antecessor, mas Albert Hammond. Jr prova novamente que há vida – e uma vida boa – além dos Strokes.

NOTA: 7,0

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