Curta na Serra abre sétima edição com ênfase na produção pernambucana

Cerimônia acontece neste domingo (15), com forte torcida brasileiro por “O Agente Secreto”

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Fotos: Do Mar/Divulgação.
De Serra Negra, Bezerros (PE)

Consolidado como um dos mais relevantes festivais de cinema de Pernambuco, o Curta na Serra principiou as atividades da sua sétima edição, na noite desta sexta-feira (27). Ao ar livre, no tradicional anfiteatro de Serra Negra, a programação inicial deu foco à produção curta-metragista pernambucana e sua multiplicidade narrativa. Mesmo diversos, os filmes se aproximam a partir do emprego de elementos fantásticos, o que demonstra coerência e esforço da curadoria, mais uma vez assinada pelo crítico e apresentador Vitor Búrigo.

Na cerimônia de abertura, Marlom Meirelles, idealizador do festival, ressaltou que a edição de 2026 é histórica, com recorde de 1.194 filmes inscritos. “Esse foi o recorde absoluto de inscrições. A gente fica muito grato de ver que o interesse cresce a cada ano e que os realizadores gostam de vir a Bezerros. E a gente tenta receber desse jeitinho do interior, com aconchego, calor humano, um jeito bem afetivo que é a cara do festival”, declarou Meirelles. Na primeira noite do Curta na Serra, o público pôde conferir as oito produções selecionadas para a Mostra Panorama Pernambuco e os primeiros trabalhos da Mostra Panorama Videoclipes.

A premiada animação A Menina e o Pote, de Valentina Homem e Tati Bond, foi a primeira obra exibida no telão ao ar livre. O curta utiliza a técnica de pintura sobre vidro para criar uma estética belíssima, que realça a narrativa banhada por elementos da cosmologia indígena Baniwa e Yanomami. A sensibilidade infantil também é celebrada pelo carismático Trincheira, filme dirigido por Lucas da Rocha e Maria Clara que ficcionaliza o cotidiano de moradores da comunidade 7 Mocambo, localizada na Várzea, no Recife.

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Filmes exibidos no anfiteatro de Serra Negra. (Foto: Do Mar/Divulgação)

Lança-Foguete, de William Oliveira, e Sertão 2138, de Deuilton B Junior, imaginam realidades distópicas na dramatização de suas tramas. No primeiro, pessoas LGBTQIAPN+ estão sendo abduzidas por naves extraterrestres por motivos incógnitos. Já o filme de Deuilton lança olhar sobre um futuro no qual os poderosos começaram a deixar a Terra, devido à poluição do ar que compromete a saúde dos habitantes (no caso da produção, o enfoque é numa inóspita região sertaneja). Concluindo a seleção de curtas de ficção, foram exibidos Babalu é Carne Forte, de Xulia Doxágui, e Pé de Chinelo, de Cátia Cardoso.

Houve espaço também para a produção documental. Dynamite Som: O Futuro é Lamento Negro, de Lia Letícia e Pedro Severien, resgata a história do grupo Lamento Negro, criado no ano de 1987, em Peixinhos, Olinda. Com Gilmar Bola Oito e Mestre Maia Nomoni entre os integrantes, o coletivo é sinônimo de resistência do legado cultural do povo preto. Outro documentário exibido foi Aqui É Longe de Lá, de Samuel Marinho, sensível estudo sobre o luto através de imagens de arquivo da família do realizador.

No encerramento da noite, o festival apresentou três videoclipes: “Alumeia”, bonita representação visual para a música de Juliana Linhares e Luana Flores (diretora do clipe); “Cana Queimada de Desejos”, criativo trabalho de Sávio Sabiá que divide a direção com Ricardo Sékula; e o bem-humorado “Paracetamono”, provocadora canção contra a monogamia do artista Sr. Coimbra, com direção de Tássia Araújo

O Curta na Serra prossegue neste sábado (28) com a exibição dos filmes da Mostra Nacional, continuação da Mostra de Videoclipes, além de homenagem ao filme O Agente Secreto. Vale ressaltar que os filmes da programação estão disponíveis no site do Curta na Serra, para quem tiver interesse em assisti-los, até o dia 20 de abril.

O jornalista viajou a convite da organização do festival.