A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela organização do Oscar, emitiu um pedido de desculpas após ser criticada por não se manifestar diante da agressão sofrida pelo cineasta palestino Hamdan Ballal, co-diretor do documentário Sem Chão. O filme foi premiado na cerimônia deste ano na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem.
Ballal foi espancado e raptado por colonos israelenses e soldados em uma base militar na Cisjordânia, cerca de três semanas após a conquista do prêmio. Segundo o cineasta, o ataque foi uma represália direta ao conteúdo do documentário. “Uma vingança pelo nosso filme”, afirmou.
A primeira manifestação da Academia foi amplamente criticada por não mencionar o nome do cineasta nem o título da obra premiada, além de conter uma condenação genérica à violência. A ausência de uma resposta mais incisiva motivou a publicação de uma carta aberta assinada por mais de 700 profissionais da indústria cinematográfica, incluindo atores e cineastas de destaque em Hollywood. A declaração denunciava a postura da entidade como incoerente: “Indefensável reconhecer um filme com um prêmio na primeira semana de março e, em seguida, deixar de defender seus cineastas apenas algumas semanas depois.”
O co-diretor de Sem Chão, Yuval Abraham, também se manifestou sobre o episódio por meio de publicação na rede social X (antigo Twitter). “Tristemente, a Academia estadunidense, que nos deu um Oscar três semanas atrás, se recusou a apoiar publicamente Hamdan Ballal enquanto ele foi agredido e torturado por soldados e colonos israelenses”, escreveu.
Ainda segundo Abraham, a justificativa dada pela instituição para não se pronunciar foi de que, como outros palestinos também foram agredidos no mesmo episódio, a violência não poderia ser associada diretamente ao documentário. Após a repercussão negativa e a mobilização de diversos membros da comunidade cinematográfica, a Academia reviu sua postura e emitiu uma nova declaração, pedindo desculpas por sua omissão.
Sem Chão retrata a luta dos palestinos da Cisjordânia contra a destruição de suas aldeias pelo exército israelense e os impactos do conflito na vida cotidiana sob ocupação militar.