A DELICADA EXTRAVAGÂNCIA DE SÍLVIA MACHETE
Com disco mais elaborado e delicado, cantora carioca diz não abrir mão da performance como expressão

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!, no Recife

A imagem de Silvia Machete rodando bambolês no Rec-Beat em pleno carnaval do Recife funcionam como uma senha incorreta para o trabalho que a cantora mostra esse ano. Bem mais do que uma artista circense, ela representa um sopro de criatividade no inchado e concorrido mercado de vozes femininas do pop. Seu novo trabalho Extravanganza é uma ruptura com seu lado sacana de antes e é mais delicado.

Seu novo show não terá bambolês, mas Silvia não quer se descolar da imagem do circo e ficou feliz em tocar pela primeira vez como cantora em um festival de circo, o Festival de Circo do Brasil, que acontece no Recife. “Meu primeiro emprego foi com o circo, mas depois que me tornei cantora, nunca tinha retornado a esse ambiente”, diz em entrevista à Revista O Grito! por telefone de sua casa no Rio de Janeiro. “Mas a performance sempre será a chave de meu espetáculo. Para este preparo um número especial com um contrabaixo”.

Stream | Silvia Machete Extravaganza
» Veja a programação do Festival de Circo do Brasil

Silvia decidiu levar a vida como cantora depois que se destacou cantando em uma apresentação. Retornou do exterior – morou na França e EUA – para gravar seu primeiro disco no Rio de Janeiro, em 2006. No ano seguinte já ganhou notoriedade com um trabalho ousado que apostava na irreverência e no humor, um contraponto forte a cantoras mais comportadas que povoam o cenário pop brasileiro. Bomb Of Love – Música Safada para Corações Românticos falava sobre mulheres embreagadas e amores rasgados. Após o ao vivo Eu Não Sou Nenhuma Santa, Machete chega agora ao terno Extravaganza.

“O disco anterior era muito cru, foi gravado todo ao vivo, este foi mais elaborado, com mais participações e teve a participação de toda a minha banda, que já está comigo há dois anos”. Produzido por Fabiano França e Estevão Cazé, o álbum tem composições de Hyldon e Lucas Santtana. “Ficamos dois meses internados gravando com muito amor”. As letras conservam o bom humor e usa ironias para falar de paixão e relacionamentos.

Sobre as comparações com cantoras de sua geração, Silvia tem opinião firme. “‘Elas precisam encontrar a voz delas. São todas muito parecidas. Existe gente talentosa, mas precisam ser diferentes, sabe?”. E sobre ser diferente, Silvia Machete sabe bem o que está falando.

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