LA CLOSE
Na prévia do Baile do Pirata Gay quem roubou a cena foi Roberta Close e sua verve de “mulher” aos 45
Por Fernando de Albuquerque.  Fotos: Daniel Verçoza

Ela esteve no Recife há 10 anos e voltou apenas por uma noite. Para um gozo rápido e protocolar. Mas apesar do momento flash, a Metrópole Dance, principal boate do Recife, viu algo ímpar em sua existência durante a prévia do Baile do Pirata. Inebriante o significado da visão de Roberta Close no palco da casa, ladeada por protagonistas dos 15 minutos de fama, ela dançou, cantou e sorriu para uma turba em polvoroza por uma noite de lucro ao som da música de Erasmo Carlos feita em sua homenagem.

Nesse ínterim, entre as obrigações da visita e seu próprio ímpeto, ela deixou escapar um pouco de sua personalidade. E se a sexualidade sempre foi para ela um estigma, e hoje aos 45 anos com cara e corpinho de 30, Roberta Close aprendeu a usar a condição de “transexual” que ela mesma nega – “eu sou uma mulher” – ao seu favor. Já apresentou De Noite Na Cama pelo canal Shoptime e há pouco esteve para lá de cotada para um filme da brasileirinhas. “Não aceitei, eu nunca precisei disso, não vai ser agora que vou ter de fazer”, disse ela após apontar que os R$500 mil oferecidos pela produtora não satisfizeram os requisitos mínimos de sua conta bancária.

E se de quando em quando o Brasil é assolado por celebridades femininas que embaralham a relação entre aquilo que é vida pública e a horizontalidade das intimidades privadas, foi La Close que começou com tudo isso nos idos dos anos 80 quando polemizou na primeira festa do baile Gala Gay, que fecha os trabalhos carnavalescos no Rio de Janeiro. Ela já pousou nua na Playboy, Sexy e Elle & Ela e apesar da fama brasileira e de sua afirmativa positiva durante a entrevista, Roberta só passou a ser reconhecida enquanto mulher há quatro anos. Na Suiça isso já acontece desde 1997 e no Brasil veio através da juíza Leise Rodrigues, da 9ª Vara de Família. O argumento da sentença é que Roberta nasceu com características femininas, não percebidas na época. Com a decisão, ela pôde tirar documentos com o novo nome.

Ela realizou a cirurgia para mudança de sexo em 1989. Três anos depois, teve autorização da Justiça para tirar os documentos com o novo nome, apesar de no item sexo vir “feminino (operado)”. A mudança no sexo foi negada em 1997 pelo Supremo, o que a levou a mudar o pedido. Em vez de alterar o sexo, solicitou o reconhecimento como mulher, o que ocorreu agora. Luís Roberto nasceu com os órgãos masculinos mal formados e sem testículos. Aos 12 anos, foi surpreendido com o surgimento de seios. Ainda hoje a aparência de mulher é mantida às custas e poderosas doses de injeções de hormônios que inibem o aparecimento de pelos e realizam a manutenção da sua plenitude feminina.


João do Morro aka Cêça apresentando sua verve drag com Roberta Close e a empresária Maria do Céu (de Chapeuzinho Vermelho)

Hill
E se nessa noite Roberta mostrou que a sedução corre de forma paralela à arte da representação, foi João do Morro, um exemplar, muito mais próximo de nossa realidade que tirou a prova dos nove. Aqui n’O Grito! ele já é freguês e dono de boa dose de apostas. Depois de abrir o show para o Ministro Gilberto Gil na prévia do Guaiamum Treloso, no Poço da Panela, ele se travestiu de mulher e mostrou para os gays, pseudo-gays e héteros enrustidos que muitos boyzinhos são, de verdade, papa-frangos.

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