SIMONE & ZÉLIA DUNCAN
Amigo é casa
[Biscoito Fino, 2008]

Surgida na década de 70, a cantora Simone foi uma das boas revelações entre a profusão de novas vozes femininas surgidas naquele período. A partir dos anos 80, porém, a artista enveredou pela seara “romântica”, desperdiçando sua voz marcante em detrimento de um repertório de gosto duvidoso. Zélia Duncan, que apareceu para o Brasil em meados dos 90, seguiu o caminho contrário. Seu hit de estréia foi “Catedral”, versão para “Cathedral Song”, da artista Tanita Tikaram, que, como a maioria das releituras, teve um resultado, digamos, irregular. Nos trabalhos seguintes, Zélia mostrou personalidade, apostando em novos compositores e numa seleção musical mais vasta em seus discos. Agora, as artistas, e amigas, resolveram juntar os gogós e lançaram “Simone & Zélia Duncan – Amigo É Casa”. O CD é fruto de uma apresentação gravada ao vivo no auditório Ibirapuera, em São Paulo (2007). No palco, elas dividem um repertório variado e mostram algumas das suas canções tradicionais, mas não necessariamente as mais conhecidas. Este é o grande trunfo do CD – não apelar para a linha “the besf of” da carreira de ambas. Destaque para a ótima banda – além das canções “Grávida”, “Diga lá meu coração”, ‘Agito e uso” e “Na próxima encarnação”. [GT]

NOTA: 6,5

ESTELLE
Shine
[Atlantic, 2008]

Enquanto Amy Winehouse não se recupera de fato e lança algo novo, a música pop já se encarrega de escolher as suas novas “divas”. Uma dessas novas promessas atende pelo nome de Estelle – cantora que já chegou causando ao emplacar o single “American Boy”, parceria com Kanye West, no 1º lugar das paradas britânicas. A canção faz parte de Shine, álbum de estréia da moça. O disco é uma boa surpresa e mostra que a garota tem talento para enfrentar o efêmero mundo pop. Além da faixa já citada, Shine traz ótimas canções como “Wait a Minuta (Just a Touch)”, “No Substitute for Love” e “Magnificent” – esta última, pop da melhor qualidade com produção do ‘todo bom’ Mark Ronson. [GT]

NOTA: 7,5

LEONA LEWIS
Spirit
[Sony BMG, 2008]

O que esperar de uma artista revelada pelo programa The X Factor (versão britânica do Americam Idol) e que tem sido aclamada como “a nova Mariah Carey”? Bem, a julgar pelo disco Spirit – álbum de estréia da cantora Leona Lewis – as respostas não são muito positivas. Apesar de estar bombando nas paradas gringas, o disco não passa de um apanhado de canções melosas e arranjos óbvios. Alçada a fama pelo 1º single, “Bleeding Love” (medo!), a cantora, assim como outros vencedores de reality shows do gênero, mostra um curto prazo de validade. [GT]

NOTA: 3,5

RADIOTAPE
Pequenas Coisas Me Fazem Feliz
[Senhor F, 2008]

Na época em que as viagens psicodélicas ainda não assolavam suas mentes, John, Paul, George e Ringo mostravam ao mundo que grandes músicas podiam ser feitas de maneira simples. Seguindo esta cartilha e incorporando pitadas de brit e power pop, o Radiotape é mais uma das bandas que segue a linha do pop rock despretensioso, mas muito bem encaixado. Composto por onze canções que clamam por palmas, “uhuhus” e “lalalas”, os mineiros mostram em seu debut um inegável potencial radiofônico principalmente nas bubblegums “Nova Chance” e “Te Alcançar”. Ao lado de poucas bandas do cenário alternativo brasileiro como o Pública e a Volver, o Radiotape mostra um som contagiante que não fica devendo em nada a badalados grupos ingleses como o Kooks. [GG]

NOTA: 7,5

Sem mais artigos