Beleza Lupina

Por Lidiana de Moraes

PATRICK WOLF
Lupercalia
[Mercury, 2011]
[Recomendado]

A reputação de menino prodígio de Patrick Wolf sempre foi irrefutável. A estranheza daquele jovem com uma sabedoria muito além de sua idade e uma visão melancólica e até decepcionada com o mundo atraiu a atenção da crítica. No entanto, o adolescente amargurado cresceu e também parece ter desenvolvido certa esperança na humanidade. Tal mudança de estado de espírito levou a criação do trabalho mais estável de Wolf, Lupercalia. Não importa se a procedência do título deste disco – pode ser uma referência à “beleza lupina” do artista ou ao festival que ocorria na Roma antiga com o intuito de purificar as cidades de todo o mal – a mensagem passada por canções como “The City”, “Armstice” e “House” transmitem a beleza da nossa vida em sua rotina contínua de buscar um motivo que não nos deixe desistir, mesmo quando tudo parece perdido. Lupercalia é pura poesia em um universo em que a arte se mostra cada vez mais mecânica. Caso Patrick Wolf ainda não tenha encontrado o significado da própria existência, pelo menos pode ter dado um motivo para muita gente sorrir por durar mais um dia.
Vídeo | “The City”

NOTA: 9,5

BEADY EYE
Different Gear, Still Speeding
[Beady Eye Recordings, 2011]

É impossível falar no Beady Eye sem falar em Oasis. A comparação é inevitável, especialmente porque até quem torcia o nariz pra banda dos irmãos Gallagher sente uma pontinha de saudade ao ouvir Different Gear, Still Speeding. A ideia de “ouvir mais do mesmo” acompanha as 13 faixas do trabalho. Há boas intenções em alguns momentos, mas nem assim dá para disfarçar a constante impressão de “é só isso que eles têm para oferecer sem o Noel?”. Seria possível defender os membros do Beady Eye com o argumento de que eles não queriam continuar sendo o grupo de Manchester que os levou a fama, mas isso não serve de desculpa para as melhores canções – “Wigwam”, ‘The Roller” e “For Anyone” – soarem como uma composição fraquinha do The Charlatans. É bom Liam se preparar para aguentar muitas piadinhas sacanas do irmão mais velho na próxima reunião de família.
Vídeo | “Four Letter World”

NOTA: 4.5

MAGLORE
Veroz
[Independente, 2011]

Veroz é o primeiro disco dos baianos do Maglore. Para quem gosta de bandas pop rock brasileiras, eles são uma novidade que pode ocupar o vazio criado com a ascensão de outros gêneros musicais no país. No entanto, quem acha que “Ana Júlia” foi o maior desserviço já feito para a música tupiniquim do século 21 deve manter distância desse disco. No site da banda Veroz é descrito como tendo sido feito para se cantarolar no chuveiro e suas melodias facilmente reconhecíveis e assoviáveis permite que isso seja feito com qualidade, mas considerá-lo um conjunto de canções diversificado, mesmo com uma identidade musical própria não é muito preciso. A simpática “As Vezes Um Clichê” resume a temática desse disco, afinal não há nada errado em gostar ás vezes de um clichê. Só se espera que mais pra frente o Maglore invista um pouco menos no “lugar comum” tanto nas letras quanto nas melodias.
Álbum | Baixe o disco Veroz gratuitamente

NOTA: 5.0

SONIC YOUTH
SYR 9: Simon Werner a Disparu
[SYR, 2011]

Para os acostumados à barulheira repleta de distorção do Sonic Youth, Simon Werner a Disparu dá até certo descanso para os ouvidos (o que pode causar o desapontamento dos fãs dos músicos norte-americanos). Já os novatos que querem conhecer o som da banda de Thurston Moore devem optar por algum outro trabalho – recomendo os da transição dos anos 80 para os 90 ou então os recentes Rather Ripped e The Eternal – para não desistir logo na primeira vez. SYR 9 é a trilha sonora para o filme do diretor francês Fabrice Gobert que chegou recentemente ao Brasil. Justamente por se tratar de uma composição “encomendada”, ela não tem a menor responsabilidade de manter a coerência musical que geralmente se encontra em um disco que conta a história por si só. As treze canções foram feitas como fragmentos que se encaixam a trama do filme e por essa razão se tornam perdidas quando desassociadas do que se vê na tela de cinema. De qualquer forma, é uma obra que merece ser ouvida pelos aficionados por trilhas sonoras, especialmente as não comerciais.
Vídeo | “Thème D’Alice”

NOTA: 6.5

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