MIIKE SNOW
Miike Snow
[Downtown, 2009]

O lineup do Miike Snow esconde o segredo do bem-sucedido disco homônimo de estreia desta banda sueca: Pontus Winnberg, Kristian Carlsson, Andrew Wyatt são produtores poderosos. Os dois primeiros, assinando como Bloodshy & Avant foram os responsáveis pelo hit Toxic, de Britney Spears, em 2004. Também já trabalharam com Kelis, Madonna, Sugarbabes, além de remixarem o Vampire Weekend. Wyatt, o norte-americano do trio trabalha produzindo para o selo Downtown, que lança este debut. O resultado é um frescor pop que faz ponte entre o rock pintoso dos anos 1980 e o experimentalismo indie destes anos 00, como Animal Collective ou The Knife. [PF]

AKRON/FAMILY
Set’Em Wild, Set Em Free
[Dead Oceans, 2009]

Em 2007, o Akron/Family chamou atenção por sua música experimental que trazia uma interessante interação de instrumentos e vocais. Nos shows também se destacavam pela improvisação, algo que ficava explícito também no registro de estúdio. Esse sentido de coletividade que é a parte mais interessante do grupo continua presente neste quinto disco da carreira da banda, fundada em 2002. O que falta, contudo, é a criatividade que pautou a estreia. Aqui, tudo parece se repetir, como se tentassem repetir os momentos inspirados em cada faixa. Falta a sinestesia de canções como “Ed Is A Portal”, falta brutalidade. A referência neste disco é buscar raízes na cultura americana. Mas, com menos afetação, a trilha proposta pela banda é mais ordeira desta vez. Uma pena. [PF]

NOTA: 6,0

ALELA DIANE
To Be Still
[Rough Trade, 2009]

Depois de conseguir elogios com seu disco independente The Pirate’s Gospel, a cantora norte-americana Alela Diane construiu uma carreira cheia de afetos por parte de músicos como Vashti Bunyan, Iron & Wine e Decemberists. Em 2007, chegou a abrir shows desse pessoal. Com isso ficou fácil de se apropriar de um público e ser incluída no chamado New Wierd America, aquela turma de cantores folk e alt.country ligados à cena alternativa americana com forte influência de rock psicodélico. To Be Still não convence à primeira audição, mas revela uma interessante nova voz americana, cheia de boas ideias em suas letras. Ouça “White As Diamonds” e a faixa-título para começar uma aproximação com Alela. [PF]

NOTA: 6,5

ALESSI’S ARK
Notes From The Treehouse
[EMI, 2009]

Alessi’s Ark é Alessi Laurent-Marke, uma garota de 18 anos londrina que chega para engrossar as fileiras dos pequenos prodígios femininos que pululam neste 2009 – vide Couer de Pirate, por exemplo. Este seu primeiro disco vem carregado de delicadeza, com muitos detalhes de harpa, cordas e piano. Esta fragilidade torna o registro etéreo, remetendo a um estado de inocência. Mal comparando, é mais ou menos o que Mallu Magalhães provoca em suas plateias (descontem o autismo sugerido da brasileira). Basta um passeio pelo MySpace de Alessi para ver como suas referências de uma recém-terminada infância ainda estão presentes e de como ela utiliza deste mote para trabalhar seu country/folk. Sinceridade ou não, é difícil não se emocionar com as interpretações da garota. Ouça “The Horse”, “Over The Hill” ou “Constellations”. [PF]

NOTA: 7,0

LITTLE BOOTS
Hands
[IAMSOUND, 2009]

Little Boots é o codinome de Vitoria Hesketh e a forma como a cantor britânica se tornou conhecida por postar no YouTube convers simpáticos de artistas como Hot Chip, Alphabeat e Estelle. “Hands” é o nome do debut de Little Boots e batismo de um dos melhores trabalhos pop do ano. Cheio de referências bacanas, o disco foi pensado para a pista de quem ta acostumado com um certo diferencial na música eletrônica. Impossível não ouvir “Stuck On Repeat” e não se lembrar das fases inspiradas de Kylie Minogue ou “Mathematics” e não reconhecer ali um (ou dois) pés de Kraftwerk. A frenética “New In Town” é o primeiro single do trabalho, mas em se tratando de “Hands”, qualquer uma das 12 faixas seria uma boa escolha. Todas cumprem seu significante papel de fazer suar, travestido num pop fresco e bem feito. [TC]

NOTA: 8,0

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