COCONUT RECORDS
Davy
[Young Baby, 2009]

Jason Schwartzman tinha tudo para se tornar mais um one-hit-wonder desconhecido e futuramente pouco lembrado: é dele a canção de abertura do seriado teen O.C., “California”, junto com sua banda Phantom Planet. Hoje em dia nem mesmo os fãs mais ardorosos devem se lembrar dele enquanto artista. Pra completar, ele é o membro menos lembrado da família Coppola. Sobrinho de Francis Ford Coppola e primo de Roman e Sofia Coppola – ele inclusive trabalhou no filme Maria Antonieta, em 2007. A surpresa é que Jason coloca nas lojas o segundo disco de seu projeto Coconut Records, Davy. O californiano trouxe boas referência neste novo registro, se aproximando do rock inofensivo feito por bandas como Death Cab For Cutie e Beulah. O clima ensolarado está presente no primeiro single, “Microphone” e também em “Any Fun”, primeira canção a aparecer em seu MySpace antes do lançamento do disco. Longe de ser um álbum irrepreensível, tampouco um registro marcante, Jason vai continuar sem um novo hit ou algo que o faça lembrado no mundo pop. Para quem curtiu o mote vale a pena uma busca pelo trabalho deste artista hiperativo. Ator, participou de diversos filmes e tem nada menos que três lançamentos aguardados para este ano. Sua participação mais famosa é no filme Viagem À Darjeeling, de Wes Andersen. Em música, além da banda Phantom Planet atuou como compositor em discos badalados, como Volume One, de She & Him. [PF]

NOTA: 6,0

[audio:http://boxstr.com/files/4643872_jtfwg/Coconut_Records_-_Microphone.mp3]
“Microphone”

NICKEL EYE
The Time Of The Assassins
[Rykodisc, 2009]

Está sendo bastante frutífera o recesso do Strokes. A exemplo do que fez o baterista Fabrizio Moretti, o baixista Nikolai Fraiture também decidiu abandonar o conforto milionário da banda para entrar num arriscado projeto independente ao lado de amigos. No novo disco, Nikolai decidiu ser Nickel Eye e mostrou que sabe – mesmo depois de anos escondido pelo contrabaixo – ser a estrela. No novo grupo ele toca violão, guitarra e também canta. Ao contrário do Little Joy, aqui o mote criativo é mais sujo, com uma forte base dançante. A voz de Fraiture, ora gutural, ora atonal confere um leve aroma pós-punk ao disco. Conceitualmente, The Time Of The Assassins está distante das paisagens ensolaradas do debut homônimo do Little Joy e também do clima retrô punk dos Strokes. Para este registro, Nikolai chamou o amigo Nick Zimmer, do Yeah Yeah Yeahs para tocar guitarra e Regina Spektor, ao piano. Produzido pelo próprio baixista, o disco mostra que as férias só fez bem ao grupo principal, que promete lançamento para ainda este ano. Com tantas cabeças pensando diferentes e ideias arejadas, promete ser um grande trabalho. [PF]

NOTA: 7,5

[audio:http://fakepennycomics.com/blog/NE_BrandyOfTheDamned.mp3]
“Brandy Of The Damned”

PSYCHIC ILLS
Mirror Eye
[Social Registry, 2009]

Algumas bandas ou projetos musicais são, claramente, um exercício de punhetagem experimentalismo que ultrapassa a barreira de convenções sobre música. Até mesmo o método, o ato de ouvir música é questionado. Mirror Eye, novo disco dos nova-iorquinos do Psychic Ills segue firme nesse radicalismo. Esqueça o intuito de se divertir escutando um bom disco, guardar músicas na cabeça, a proposta é fazer acreditar que se possa desconstruir a audição do ouvinte, para apresentar novas sonoridades, ou ainda interpretar por outro prisma as já existentes. Tudo aqui é perturbador aos ouvidos; roncos de motor, distorções, guitarras psicodélicas, reverberações que deixam qualquer um tonto, vozes guturais. A mais difícil é “I Take You As My Wife Again” por um motivo simples: tem quase 10 minutos. Nenhum não-iniciado ou alguém com juízo no lugar ficará incólume após atravessar essa estrada de espinhos. Curioso refletir sobre o quão interessada a banda está em fazer parte de um universo paralelo, primitivo, sem concessões, desprovido de audiência e crivo particular de quem quer que seja. Sabemos que outras bandas, como o Animal Collective, Panda Bear conseguiram adentrar no universo pop, ainda que pareçam estranhos. O Psychic Ills quiseram se manter puros neste início de século, e talvez não queiram ser entendidos. Deixemo-os. [PF]

NOTA: 7,5

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