ANJULIE
Boom
[Hear Music, 2009]

Guardem esse nome: Anjulie. A cantora canadense tem tudo para conquistar o pop este ano. Também, pudera; ela carrega todo o conjunto de referências que fez famosas cantoras recentes como M.I.A., Santogold. Traduzo: mistura influências inusitadas ao bom e velho pop chiclete e tem origens consideradas “exóticas”. No caso dela, é filha de imigrantes da Guiana. Ela também não é nenhum sinônimo de beleza e se veste de maneira curiosa, outra curiosidade das novas vozes femininas atuais, cada vez mais cheia de personalidade e se afastando do estereótipo fashionista de antes. A moda agora é ditada por elas, baseada em experiências de vida e boa dose de ousadia. Anjulie, que vive em Los Angeles vai ganhando terreno no cenário musical americano. Já tem ao menos dois hits conquistando blogueiros de música e rádios indie, “Boom” e “Rain”. Mas o disco todo é cheio de boas ideias. Anjulie apresenta bom repertório baseado no soul, pop dos anos 1960, hip-hop e bons arranjos dance. Também compositora, ela mostra uma disposição para se abrir, sem nenhum pudor em suas letras. Boom só se perde em algumas faixas, quando tenta fazer o que poderíamos chamar de “baladas”. Anjulie, gata, você já está além da margem normal do pop. Trate de aproveitar. [PF]

NOTA: 8,0

GLASVEGAS
Glasvegas
[Sony, 2009]

A banda escocesa Glasvegas segue um modelo de indie rock britânico que vem se tornando cansativo nos últimos tempos. Surgida em 2006, o grupo não se encontrou e segue repetindo uma fórmula que já estava desgastada quando o The View fez relativo sucesso em 2006. Hoje o pop não mais concebe um grupo sem uma linha de originalidade que seja, pode ser misturar música africana com dance, ou fazer releituras do punk, ou até mesmo fazer experimentalismos. Nisto o álbum do Glasvegas não apresenta, nem tampouco mostra interesse. Em toda a audição encontramos as mesmas guitarras, os mesmo vocais sofridos, uma ou outra baladinha, uma música dançante (“Daddy’s Gone”, bem graciosa). O álbum também se mostra mal resolvido, oscilando uma verve punk, quase se aproximando no que o Interpol fez muito bem e o indie-rock melancólico, quase adolescente. Após algumas audições, não é difícil se afeiçoar ao disco, mas está claro que será um registro perdido décadas à frente. Uma breviedade que poderia ser corrigida com um pouco mais de originalidade ou ao menos a tentativa dela. [PF]

NOTA: 5,5

AMPLEXOS
Amplexos
[independente, 2009]

As dez faixas do disco dessa promissora banda de Volta Redonda (RJ) são pitadas do bom indie rock da cena underground carioca. Condensando influências que vão de Miles Davis a Lô Borges, passando por Beatles, Paralamas do Sucesso, Jimi Hendrix, Mutantes e Jeff Buckley, sem esquecer os clássicos da bossa nova e tropicália, Amplexos traz letras que falam de amor e guitarras espertas. Destaque para a triste balada “Eterno Retorno” e para o samba-rock de “Vê Se Tá Bom de Açúcar”. Atenção especial para a levada de “Choveu” (que lembra muito Los Hermanos) e para o clima rock de “Mais Blues”.

Apesar de não sair do óbvio e não arriscar muito, o disco tem letras inteligentes e bons arranjos, baseados em instrumentos que fogem da mesmice – como
craviola e escaleta, além de sintetizadores e programações. [MM]

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