Morrissey (Foto: Divulgação)

ÁSPERO, AMARGO, CÁUSTICO, IMPIEDOSO E INEVITÁVEL
Com lançamento marcado para a segunda quinzena de fevereiro, Morrissey não passa incólume aos downloads e mais uma vez promove uma sessão de arrebatamento
Por Fernando de Albuquerque

MORRISSEY
Years Of Refusal
[Decca/Polydor, 2008]

Lá pelo final de 2008 três músicas já estavam sendo clandestinamente disponibilizadas para download e até dava para ouvir alguma coisa tocando nas rádios mais antenadas e soturnas espalhadas pelo Brasil. Mas o fato é que Morrissey voltou. Gode Save Him! E logo que colocou o primeiro single oficialmente no Myspace, o “I’m Throwing My Arms Around Paris”, ele declarou que esse seria o “hino cosmopolita à arquitetura”. O hit é fruto de uma parceria dele com o guitarrista Boz Boorer. Intitulado Years Of Refusal, esse é o nono disco do bonitão e conta com participações de Chrissie Hynde, do Pretenders, e de Jeff Beck. Dessa amálgama só um resultado seria possível: uma sessão forte de arrebatamento aos céus do vôvô mais sexy e desejável do último século.

Tudo bem, os que sempre o ouviram dirão que ele retorna ao roteiro habitual com canções meio confessionais e compostas em um quarto escuro enquanto ele chorava a falta de amor e sexo (pura falácia!). Mas se a máxima de que em time que está ganhando não se mexe…esse com certeza não será o ponto alto de sua carreira, mas participa da grande altitude em que Morrissey se encontra desde que começou a fazer sucesso quando ainda era do Smiths.

A produção de Years Of Refusal é de Jerry Finn, de bandas como Blink 182 e Offspring. Finn morreu pouco depois de concluir toda a produção do disco o que só acentua o tom de amargura e raiva que sempre preenche todo repertório de Morrissey. E nas 12 faixas do disco estão lá os mesmos temas: amores tortuosos, vaidade e solidão. Tudo soando com a mesma morbidez de ontem.

As primeiras seis músicas são a pura incorporação do espírito do musicista e nos lembram da época em que ele ainda cheirava pó e tomava ácido. São guitarras pausterizadas e contraditoriamente energéticas que valorizam tudo aquilo que é dito por ele. Como quando ele regozija em “All You Need Is Me”.

E todas as faixas subsequêntes provam que o “rei do sarcasmo nunca abandonou seu palácio”. Tal como em “That’s How People Grow Up”, “Something is Squeezing My Soul” e “I’m Throwing My Arms Around Paris”. Todas elas são verdadeiros hinos que mostram o como ele e seus fãs são um poço de cinismo e participam de rituais de mágia negra em prol do sarcasmo.

E muito antes das faixas vazarem ele já alertava para um possível desgosto por parte da crítica. Ledo engano do nosso rei. Cada ano que passa ele fica melhor. Tal como uma reprodução de trejeitos previsíveis e piadas prontas, mas que continuam surtindo o mesmo efeito verificado no passado e revelando o pior dos venenos que um artista pode exibir.

NOTA: 9,0

I’m Throwing my Arms Around Paris

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