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Foto: Divulgação/Steidl.

O escritor alemão Günter Grass, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1999, morreu aos 87 anos nesta segunda (13). A informação foi dada pela editora Steidl. A causa da morte não foi divulgada.

Grass foi autor de livros como O Tambor (1959) e A Ratazana (1986). Ele nasceu em 16 de outubro de 1927 em Danzig, hoje Gdansk na Polônia. Ele trabalhou com escultura e artes gráficas antes de se tornar mundialmente conhecido como escritor.

Em O Tambor, ele conta a história de um menino que se recusa a crescer e traz como pano de fundo a Alemanha na primeira metade do século 20. Foi destruído por críticos e políticos pelo tom ácido da obra. Acabou se transformado em best-seller mundial.

Conhecido pelo ativismo político, Grass era um social-democrata ativista e não se rogava em usar suas obras para expor suas convicções. Acreditava que os escritores não deveriam se abster e manter distância do debate político. Em 2012 ele causou comoção internacional ao dizer que Israel ameaçava a paz mundial ao querer atacar o Irã. Até sua morte ele foi considerado “persona non grata” pelo estado hebreu.

Escândalo

Grande parte do público veio a conhecer Günter Grass, infelizmente, por causa do escândalo que foi a revelação de sua participação na juventude nazista. Em 2006 ele lançou seu livro de memórias Nas Peles da Cebola, onde revelou que integrou a Waffen SS, força de elite de Adolf Hitler.

Ele foi preso em um campo de prisioneiros norte-americano aos 17 anos. Sempre alinhado à esqueda, a revelação causou bastante surpresa. Em entrevistas, Grass disse que, como muitos jovens, foi fascinado “pelos submarinos e não pelas forças de elite”. “Eu era jovem e não procurei questionar. Em vez disso, acreditei cegamente que a Alemanha, até à sua capitulação incondicional, tinha razões para fazer a guerra e foi por isso que segui o caminho de centenas de milhar de alemães da minha idade”, disse na época, citado pelo Correio da Manhã. “Não sabia nada dos crimes de guerra que mais tarde vieram à luz, mas a afirmação da minha ignorância não pode ocultar a consciência de haver estado integrado num sistema que planificou, organizou e executou o extermínio de milhões de pessoas”.

Antifascista

No pós-Segunda Guerra Mundial, ele fez parte do Grupo 47 ao lado de escritores como Ingeborg Bachmann e Alexander Kluge. A proposta era revitalizar a literatura alemã no pós-guerra. Ao longo de sua atuação como escritor, Grass sempre confrontou a Alemanha com o seu passado nazista e denunciou o neofascismo pela Europa.

Na internet diversos escritores lamentaram a morte, como o amigo e escritor inglês Salman Rushdie. “Isto é muito triste. Um verdadeiro gigante, inspiração e amigo”, disse no Twitter.

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