Fotos: Divulgação.

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Uma rápida pesquisa no dicionário nos leva ao real conceito por trás do termo faquir: “indivíduo que publicamente se submete a jejuns rigorosos e duras provas de sofrimento físico sem dar sinais de sensibilidade”. A definição resume em uníssono o que vem a ser o faquirismo, principalmente fora de nações como a Índia, lugar em que ainda mantém algo de espiritual e religioso na prática. Tanta conversa é para falar sobre o livro Cravo na Carne de Alberto de Oliveira e Alberto Camareiro, lançado pela editora Veneta.

Robusto e detalhista, o título vai muito além de uma edição bem cuidada e visualmente atraente, recaindo sobre um bem vindo clichê de histórias pouco católicas e repletas de “vontade de ser feliz”, por assim dizer. Cravo na Carne nos conta a história ainda pouco conhecida do faquirismo feminino no Brasil. Prática em que damas para lá de sexies se submetiam a horas de jejuns pouco convencionais, escondidas em gaiolas de vidro e sobre pregos e cacos de vidro. O aparente perigo é relatado com suntuoso prazer a essas brasileiras que na fome pela fama se recusavam a comer para atrair o olhar curioso dos amantes de primeira ordem.

Mulheres que por muitos anos transformaram seu suplício em espetáculo ganharam a devida atenção e registro nos anais da história nacional. Belas, sensuais e sensíveis, muitas acabaram se suicidando – como é o caso de Rossana – e outras apenas procuraram esconder a sete chaves a prática, como é o caso de Verinha, uma das beldades que inspirou Alberto Camarero em sua pesquisa.

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Boa parte da pesquisa para o livro recai sobre os jornais da época e como a imprensa retratava essas 11 moças que se deitavam com serpentes de nomes esdrúxulos (Suzy King tinha três, batizadas de Café Filho, Jânio Quadros e Perón).

A pouca roupa e o deleite ao lado das serpentes levava a plateia ao êxtase, resultando no erotismo purificado pelo jejum (quebrado pela ingestão de densas macarronadas quando o público estava ausente) e imortalizado nas páginas de Cravo e Carne. A bem da verdade, essas moças praticaram o grau zero do “Big Brother” ao se colocarem em exposição de um jeito que só quem estava lá conseguiu verdadeiramente saber e sentir.

​Sensual e prosódica​, a narrativa de Cravo na Carne dá uma vontade de quero mais no leitor pouco atento. Cada página, cada relato, nos guia de forma muito sutil em um voyerismo inebriante e mordaz.

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No Recife
Nesta quarta (4) Alberto de Oliveira e Alberto Camarero lançam no Recife o livro Cravo na Carne – Fama e Fome na Livraria Cultura do Paço Alfândega, a partir das 19 horas. O evento faz parte do Festival de Circo do Brasil desse ano. A entrada é gratuita.

cravo na carne livroCRAVO NA CARNE – FAMA E FOME
De Alberto de Oliveira e Alberto Camarero
[Veneta, 296 págs, R$ 49,90]

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