UM ROMANCE DE GERAÇÃO
Sergio Sant’Anna
[Companhia das Letras, 120págs , R$ 29,50]

Com a estrutura de uma peça de teatrom Um Romance de Geração foi originalmente lançado em 1980 e agora ganha relançamento pela Companhia das Letras. O livros nos conta a história de Carlos Santeiro, mineiro residente de Copacabana em um minúsculo apartanto alugado, ele se apresenta em uma crise total: afetiva, existência, profissional e literári. Tudo desencadeada pelo grande sucesso de um de seus livros. Nesse cenário ele recebe uma jornalista que faz uma matéria sobre sobre a literatura brasileira do período da ditadura e da pós-ditadura e ele transforma o incidente num ato teatral incisivo em que questiona sua vida, seus amores, seus ideais estéticos e políticos, sua utopia revolucionária, sua solidão e seu alcoolismo.

E nesse imbróglio se desenvolve toda trama que cerca esse título que ma dramaturgia e narrativa em prosa (teatro e romance). A publicação aproxima literatura de entrevista levantando esse velho argumento linguístico da aproximação através da cena do encontro entre o escritor e a jornalista. E no milagre desse embate, cria-se um escritor fictício, tanto na mídia como na ficção fazendo com que o autor volte ao formato entrevista que experimentou no conto “O Monstro”.

E aqui é o discurso midiático que dá o ponto de partida em que o escritor exibe como “se faz uma entrevista de verdade” e com competência. E no livro de Sant’Anna é são os bastidores que vemà baila em que a literatura encontra seu próprio material na metalinguagem. Um romance de geração mostra tudo, desde como os escritores fazem um “ar de inteligência, de genialidade”, como pretendem ser o cúmulo da simpatia, como fingem que são perspicazes, quando na verdade estão a fim de transar com a entrevistadora, como têm muita clara a repercussão da entrevista para alavancar a carreira, já na luta contra a presença avassaladora da televisão. [FA]

ELES FORAM PARA PETRÓPOLIS: UMA CORRESPONDENCIA VIRTUAL NA VIRADA DO SÉCULO
Mário Sérgio Conti e Ivan Lessa
[Companhia das Letras, 262 págs, R$ 45,00]

Na contramão daquilo que está sendo encarado como new journalism, os jornalistas Ivan Less e Mário Sérgio Conti reuniram nessa publicação o intenso diálogo que manteram durante um ano (entre 2000 e 2001) por e-mail. Se configurando, então, enquanto new literature com os ingredientes de seu primo pobre e mais labutário: o jornalismo diário das redações. [FA

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