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Um dos destaques da 9º Janela Internacional de do foi a exibição no domingo de , de . Premiado como o melhor documentário do último Festival de Cannes, na França, o filme usa apenas imagens de arquivo para reconstituir o percurso do movimento mais importante do . A grande sacada de Rocha é organizar as imagens coletadas usando como inspiração principal a ideia de captar o espírito do movimento a partir do contexto em que ele surgiu: um momento de questionamentos e mudanças na vida social e política do Brasil e também de busca de um cinema que fortalecesse uma estética original capaz de traduzir pela imagem essas inquietações.

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Festival começa com forte tom político
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Eryk é filho de Glauber Rocha, o mais explosivo dos cineastas do Cinema Novo, e optou por uma narrativa ensaística e poética, algo que fortaleceu no documentário o papel desempenhado pelo Cinema Novo e seus integrantes, onde a atitude política estava totalmente imbricada com o desejo de se juntar arte e revolução. O diretor usou trechos dos diversos filmes produzidos pelo grupo e de entrevistas e depoimentos feitos pelos cineastas, registradas, sobretudo, quando o movimento ainda estava em ebulição. Desde as primeiras sequências, todavia, notamos que a articulação dos fragmentos não querem apenas nos contar uma história sobre algo que já passou.

Eryk Rocha desdobra o seu olhar estabelecendo relações entre os filmes citados, tanto nas sequencias escolhidas quanto nos personagens enfocados. E dessa maneira revela e atualiza com precisão os sentimentos, os propósitos formais e o desejo de engajamento social compartilhado pelas obras e seus diretores. A edição é primorosa e a estrutura desenvolvida enfatiza como o Cinema Novo é uma referência importante para o cinema brasileiro, e o quanto ele foi ousado, criativo e moderno.

https://www.youtube.com/watch?v=rsjgKA_XfWY

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