Foto: Divulgação.

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Viajar é preciso: a estreia de João Capdeville

O músico João Capdeville tem a jornada como mote para o seu trabalho de estreia. O compositor e cantor carioca lançou o EP Pausa, no final de 2014, com produção de Diogo Strausz, responsável por trabalhar com nomes como Alice Caymmi e Castelo Branco, entre outros.

Para este início de carreira, Capdeville se revelou um compositor intimista e melancólico. Ele incorporou ao álbum suas vivências pela América do Sul e Espanha e fez links com suas próprias origens. O disco remete ao virtuosismo de Paco de Lucía e Yamandu Costa e a MPB de Chico Buarque. Além da voz e violão, sua música traz ainda a bateria de Patrick Laplan (Eskimo, Biquini Cavadão, Los Hermanos), o teclado e programações de Donatinho e o baixo de Nathanne Rodrigues – músicos que o acompanham no palco, em apresentações envolventes.

A viagem é a chave para compreender o trabalho e também um convite para o ouvinte ir para uma outra atmosfera. “Verdade é que gosto de me sentir num lugar onde não conheço ninguém e ninguém me conhece. Acho que isso apaga momentaneamente certas coisas. É como se durante um determinado período de tempo a gente pudesse recomeçar sem que nada se coloque no caminho”, disse em entrevista à Revista O Grito!.

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Veja abaixo a entrevista que fizemos com João e o faixa a faixa que ele fez para a revista.

Qual sua formação como músico? O que te inspirou a fazer música?
Me considero autodidata, apesar de já ter frequentado reconhecidas escolas de música. Minha relação com a música, mais especificamente com o violão, desde o começo se baseava em pegar o instrumento e ir descobrindo os sons que mais me agradam e me chamam atenção. Ir entendendo o mecanismo, etc. Não sei se consigo dizer exatamente o que me levou a fazer música. Acho que foi um conjunto de fatores. Talvez seja pela necessidade e dificuldade que sempre tive em me expressar de outras formas. Sou muito fechado e quieto, e vi na música uma forma muito natural de abordar assuntos que não gosto muito de falar. Talvez isso tenha me ajudado a me sentir um pouco melhor em relação a algumas coisas. Acho que a música acaba sendo responsável por tirar de mim um certo peso.

O trabalho foi produzido por Diogo Strausz, que é tido como um principais nomes da atual música brasileira. Como foi o processo de produção do disco?
O processo de produção do disco foi algo relativamente rápido. Isso deve-se muito à conexão que tivemos desde o princípio. Isso facilitou tudo. Quando mostrei as músicas pro Diogo, lembro dele ter ficado empolgado e me mostrado várias ideias. Todas maravilhosas. Foi um prazer imenso ter feito esse álbum com ele. É muito bom quando alguém consegue entender e complementar seu trabalho.

Qual a importância da América Latina no seu trabalho?
Então… Eu adoro viajar. Verdade é que gosto de me sentir num lugar onde não conheço ninguém e ninguém me conhece. Acho que isso apaga momentaneamente certas coisas. É como se durante um determinado período de tempo a gente pudesse recomeçar sem que nada se coloque no caminho. E quando voltamos `a nossa realidade, voltamos modificados. Esse é o grande barato de viajar. Não importa se na América Latina, Europa ou onde quer que seja. Isso pra mim é muito inspirador.

O seu trabalho já circulou bastante com shows, clipes, EP. Quais são seus planos para médio a longo prazo?
Acho que meu cérebro ficar a maior parte do tempo preocupado em ser criativo. Devido a isso, há uma grande rotatividade de ideias em relação aos meus próximos passos, mas o que posso dizer com certeza é que ainda pretendo trabalhar bem mais o “Pausa”. Quero lançar mais um clipe pelo menos e fazer o máximo de shows até o fim do ano, pra depois então começar a organizar próximo trabalho.

Faixa a faixa:

Então… Pra mim o barato da arte é ver como ela vai ser interpretada. Cada pessoa busca uma identificação com aquilo e interpreta como lhe convém. Por isso, não gosto de explicar minhas canções. Porém, vou tentar resumir cada música do EP em palavras-chave que representem as ideias principais para mim. Assim acho que não acaba o encanto. [Risos]

1 – Lembra?
Recordar-se

2 – Da Razão
Questionar/Discordar

3 – O Mundo Vai Girar
Conformar-se / Dar-se por vencido

4 – Sua Vitória
Aceitar / Prosseguir

5 – Pausa
Parar/Observar/Relaxar

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