O ÚLTIMO ROMÂNTICO
Marcelo Jeneci fala sobre o novo disco, o sucessor do sucesso Feito Para Acabar e sua relação com Pernambuco

Por Eduardo Dias
Blogueiro da Revista O Grito!

No ano passado, Marcelo Jeneci despontou no cenário independente com canções que traziam o peito aberto ao falar de relacionamentos, paixão, saudade. Com o sucesso de faixas como “Dar-te-ei”, “Felicidade” e “Pra Sonhar”, ele preenchou uma lacuna de voz romântica na música pop brasileira. Agora, o músico já trabalha no sucesso de Feito Pra Acabar (2010), enquanto faz shows pelo País e emplaca ações de divulgação do trabalho anterior.

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Uma delas é o clipe colaborativo de “Pra Sonhar”, realizado com o engajamento de seus fãs. Jeneci vem ao Recife para se apresentar no Bailinho dos Namorados, no Baile Perfumado. O Estado tem significado especial na vida do cantor. Seu pai nasceu em Sairé, no Interior pernambucano e ele voltou ao local para filmar o clipe de “Felicidade”. “Amo o estado inteiro. Sou metade Pernambucano e metade Paulista”, diz.

Já no Recife e horas antes de seu show na cidade, Marcelo Jeneci conversou com a Revista O Grito! contou mais sobre o aguardado disco novo, a relação com as vozes femininas em sua carreira, Pernambuco, e disse que James Blake e Beach House andam servindo como inspiração ultimamente.

Que importância que as ações como a de “Pra Sonhar” têm para a divulgação do seu trabalho? Não é apenas um videoclipe com participação, mas um engajamento dos fãs.
Aproximar os fãs cada vez mais desse trabalho é o grande objetivo, criando ações e conteúdos especiais sem perder o cuidado com cada detalhe.

Podemos esperar mais ações “fora do comum” como essa para o próximo disco?


Sempre!

O município de Sairé esteve no seu clipe “Felicidade”. Pernambuco estará presente em seu próximo disco? 


Respondo essas perguntos daqui de Recife e digo o seguinte. Amo o estado inteiro. Sou metade Pernambucano e metade Paulista. Com certeza Pernambuco continuará em mim no próximo disco.

Como está o processo de composição para seu próximo trabalho?
Intenso! Ainda estou tentando me libertar do Feito Pra Acabar, pra me dedicar ao próximo disco. O lado bom é poder contar com a experiência adquirida na estrada, potencializando ainda mais a maneira de compor.

O que anda inspirando você?


James Black, Air, Beach House e todas as coisas que vivo e deixo de viver. Aliás, tão importante quanto as coisas que a gente vive, são as coisas que a gente não viveu. Observar essa seta do real que somos nós, equilibrando a todo tempo essas duas esferas, é um das coisas que mais me inspiram.

Como é compor para vozes femininas?
Não sei… Nunca fiz uma canção pensando numa intérprete, sempre foquei no discurso e na melodia, acreditando que se as duas coisas forem boas, vai ficar legal independente do canto ser masculino ou feminino. Quando conheci Laura [Lavieri, parceira de palco e disco do cantor] me apaixonei pela voz dela e ficava compondo pra ver ela cantar, sabia que uma música boa com aquela voz, daria uma combinação perfeita. Mas, isso não mudava meu jeito de compor, no caso, ela que se adequava.

Qual a grande diferença estética em fazer show intimista e show de palco grande?
Quando toco sem a banda, apenas eu e Laura, ou eu, Laura e Regis, tenho que tocar mais instrumentos pra dar conta dos detalhes dos arranjos. O show intimista é sempre mais concentrado. Já com a banda toda, vem tanta energia da plateia para o palco, que tudo parece mais fácil.

Feito Pra Acabar foi feito em papel cartão e tinha polaroids com a letra. O que esperar do projeto gráfico do próximo disco?
Algo que dialogue diretamente com as novas canções. Não vejo a hora de poder trabalhar nisso novamente.

Você acha que essa preocupação com a estética/design é algo a se destacar em tempos que se baixa um disco facilmente?


Acho que sim. Acho também que hoje em dia os discos de ouro e platina deviam ser mensurados pela quantidade de downloads. Sendo assim, agregar valor tátil a um disco físico passa a ser fundamental.

Qual a lembrança mais remota de querer trabalhar com música?


Quando comecei a tocar na igreja que minha mãe me levava. Eu devia ter uns oito anos e tocava em todos os casamentos de lá.

Quando você decidiu assumir os vocais? Por que?


Quando escrevi a primeira palavra da primeira canção que fiz. De lá pra cá, a segurança no novo instrumento (voz) foi aparecendo aos poucos, me trazendo gosto e vontade de cantar cada vez mais. Hoje, me sinto mal quando fico muito tempo sem cantar.

Seu disco chegou aos primeiros lugares de diversas listas de melhores do ano e você teve acolhida tanto da cena independente quanto do mainstream. Agora, é tido como o maior representante romântico de sua geração. Como lida com essa repercussão?
Acho que aos poucos o disco vem ganhando a notoriedade que equivale ao conteúdo dele. Fico muito feliz em ter saido da perifa e hoje, escutar minhas músicas no rádio quando volto pra lá.

* Colaborou Paulo Floro

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