Foto: Caroline Bittencourt / Divulgação

PARA QUEM CANTA DO AMOR
Quarteto carioca lança disco de estreia e faz parte de uma geração de bandas cujo público não cultiva preconceitos

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!

O humor fez algo de bom para a música pop brasileira. Os cariocas da banda Do Amor fizeram uma interessante trabalho de misturar referências como Tropicália, forró, rock oitentista e até heavy metal. O resultado disso é um dos trabalhos mais criativos deste ano e que mostra o quanto a cena carioca anda gerando bons frutos para a safra musical recente.

Formado por Gustavo Benjão (guitarra e voz), Gabriel Bubu (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz), o grupo acumula experiência de veteranos, mesmo sendo este o primeiro disco. É que o quarteto já tocou em tudo que é banda e passaram grande parte deste ano fazendo shows e viajando pelo país. Essa carga intensa de trabalho talvez tenha postergado esse aguardado disco desde 2008, quando a cena independente passou a ficar de olho neles.

Mas esse tempo acabou fazendo bem à banda. A impressão de ouvir o disco é de algo maturado. Cada faixa parece ser representante de uma ideia comum a todos. Lambada, rock brasileiro, brega, brit-pop, tudo é colocado com um tom de zoação, mas sem parecer gratuito. É o que diferencia o Do Amor de outras tentativas do rock nacional de tentar se fazer engraçado.

Pelo contraste em cada faixa, usando gêneros musicais diferentes, a impressão é de que a banda pautou o repertório pelo que poderia zoar. Mas um ouvinte desatento (ou desafeto do grupo) pode não perceber o estilo autoral do quarteto. Esse debut é o resultado de uma amizade de longa data dos integrantes, e agora menos dedicados a projetos paralelos, parecem querer se dedicar mais a esse projeto.

Vendidos como revelação da nova cena pop carioca, o Do Amor é parte de uma geração que habita os mesmos espaços dos fãs, cultivam essa proximidade. E, claro, constroem seu sucesso pela internet. Já o público vive um momento mais instruído, exigente, que gosta de ouvir música brasileira em português. Pessoas que acompanham as últimas novidades e tendências, mas não se fazem de rogado para dançar um carimbó numa típica noite paulista ou paraense.

Do Amor é síntese desse novo momento e, se estão vivendo um hype, é bem merecido. Músicas como “Chalé” e “Dar Uma Banda” são exemplos da criatividade de falar a um público que curte ser diversificado. Resta torcer para que esse público, hoje ainda uma minoria, cresça com velocidade, para que nomes como esse saídos do independente, passem a serem sinônimos do rock brasileiro. E não os mesmos nomes cheios de bolor dos anos 80 que ainda caminham moribundos por aí.

DO AMOR
Do Amor
[Independente, 2010]
[Recomendado]

Nota: 9,0

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