Os artistas e inauguram a exposição Pictoria, com curadoria de Julya Vasconcelos, na Galeria Amparo 60, a partir desta quinta (8). Essa é a primeira vez que os dois consagrados artistas nordestinos realizam uma exposição juntos. A ideia de colocar as obras dos dois em diálogo foi da galerista Lúcia Costa Santos, que, há anos, representa os dois no Recife.

A proposta inicial era fazer esse confronto entre duas visões de mundo distintas, mas que são resultado de um mesmo contexto cultural e geracional. “São dois artistas muito importantes, da mesma geração, que se projetaram bastante. Cada um tem sua forma de nos mostrar uma explosão das cores”, diz a galerista.

Julya Vasconcelos selecionou seis obras de cada artista, colocando-as em diálogo. Segundo ela, ambos fazem uso de módulos em seus trabalhos e também de materiais que, para o senso comum, não seriam matéria-prima ideal para produções artísticas. “Estes materiais, em sua maioria pouco valorizados, funcionam como pigmentos não tradicionais que geram nos dois o que podemos chamar de uma investigação a respeito das possibilidades de objetos-pigmentos e da construção , também, de uma expansão do conceito de pintura. A mostra Pictoria explora esse universo da cor em ambos”, explica a curadora. A conversa entre os artistas se desenrola justamente encima desses três eixos que os aproximam: os módulos, os materiais pouco valorizados e a pintura expandida.

Segundo Delson, trata-se de uma exposição de pinturas, mas que nem sempre o pincel e a tinta estão presentes. A seleção da curadora é formada por um apanhado redondo: pinturas planas, pintura objeto, díptico sobreposto, fotografia como suporte para a pintura expandida e um vídeo de José Patrício – que está sendo produzido especialmente para a mostra. “É a pintura que migra por variados suportes… fala da sua condição carnal, materialidade e essência querendo repovoar Arte Contemporânea. São dois pintores, isso nos aproxima, no mais é o corpo do Nordeste”, sintetiza Delson.

Obra de José Patrício. (Divulgação)

A pintura, a geometria e a cor vinculadas aos materiais e às expressões mais características da cultura popular do Nordeste são questões que claramente interessam aos dois. “Uma certa identidade brasileira e nordestina nos une. Acho que os nossos trabalhos apresentam uma síntese entre o universal e o regional. Nossa pesquisa visual, de teor experimental, faz uso de procedimentos não convencionais para a criação artística. Para sintetizar, no que eu chamaria de complementaridade, destaco o caráter apolíneo do meu trabalho e o caráter dionisíaco do trabalho de Delson”, pontua Patrício.

De fato, Delson Uchôa costuma ser visto como um artista que desenvolve uma pesquisa mais intuitiva e dada aos improvisos, enquanto José Patrício costuma ser encarado como um artista mais cerebral. Para a curadora, essas distinções deixam a conversa ainda mais interessante. “Acho que a conexão entre os dois dá a ver os caminhos mais tortuosos que ambos traçam nos seus processos, bebendo aqui e ali tanto nas precisões quanto nas imprecisões. Vejo um diálogo rico”.

A Galeria Amparo 60 Califórnia fica na Rua Artur Muniz, 82, Primeiro andar, em Boa Viagem, Recife.

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