Teenage Fanclub e seu disco sem sombras
Por Lidiana de Moraes

Se por razões estranhíssimas existisse uma regra estipulando que cada artista só podia encabeçar uma lista de melhores por ano, em 2010, o Teenage Fanclub enfrentaria um dilema: aceitar que Shadows fosse eleito o melhor disco de sua carreira ou então concordar que ele é o melhor disco de 2010. Apesar de o primeiro prêmio ser mais plausível, especialmente porque estamos em um ano que já teve grandes lançamentos como High Violet, do The National e que ainda promete mais, é certo dizer que os escoceses acertaram a mão em seu décimo disco de estúdio.

Cinco anos depois de Man Made, Norman Blake e companhia voltaram com um trabalho que serve para superar as expectativas de uma base de fãs fidelíssimos. Desde que o aperitivo, “Baby Lee”, foi oferecido na internet já rolavam comentários enfatizando a qualidade do trabalho que estava para ser lançado. Agora com o disco completo e pronto para ser degustado dá para ir mais além: não apenas o primeiro single é ótimo, como as demais canções merecem ser descritas como magníficas.

Em doze faixas, o Teenage Fanclub consegue dar uma lição aprendida com uma longa carreira, mas que ás vezes não chega ser aprendida por músicos ainda mais experientes: um disco bem feito pode ser conciso, mas nem por isso precisa perder sua essência despreocupada, que transforma cada canção em uma obra particular, despertando em cada ouvinte uma sensação única e inexplicável.

Apesar do título, Shadows é para ser ouvido em todas as horas e estações, algo que fica subentendido quando Blake canta “I wondered the Earth, but I’ve come back here to live with the seasons and to be with you…”. Logo, se alguém esperava melodias sombrias vai se surpreender porque as canções funcionam como uma trilha que impulsiona o ser humano a sair das profundezas escuras em que eventualmente nos enfiamos, para aproveitar a vida em um belo dia ensolarado.

O que não faltam são composições que nos acompanham como se fizéssemos parte do mais novo filme baseado em um livro de Nick Hornby. “When I still have thee” promete embalar muitos apaixonados por um tempo imensurável. Em The Fall, o vocalista e compositor Norman Blake prova que está à altura de portar o mesmo sobrenome do poeta inglês. Today never ends é para aqueles momentos de clímax, decisivos, porém confusos. Enquanto isso, The Past poderia acompanhar os créditos finais, deixando aquela vontade intensa que torce para que o filme da nossa vida tenha continuação e que a trilha sonora mantenha a mesma assinatura.

Ainda faltam vários meses para o fim do ano, mas mesmo que o Teenage Fanclub não ganhe a corrida pelo prêmio de melhor disco lançado nesses 365 dias, Shadows permanecerá sendo um disco perfeito além de 2010. [Da Colaboradora da Revista O Grito!, em Porto Alegre]

NOTA: 9,0

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