AS SAUDADES DE PATTI SMITH
Cheio de referências, novo disco de Banga lembra de Amy Winehouse, Johnny Depp e Maria Schneider

Por Juliana Dias

Poesia para recitar, poesia para cantar. Depois de oito anos sem gravações públicas, Patti Smith lança o álbum Banga, que começa intimista e saudoso. Logo na primeira faixa, ela usa a voz para maximizar o que ela faz de melhor: a poesia. E, na maioria das músicas, temos o encontro de trechos falados e algumas baladas que se intercalam e se completam.

Produzido com o guitarrista Lenny Kaye, o baterista Jay Dee Daugherty e o baixista e teclista Tony Shanahan, Patti Smith encontra em parceiros antigos um espaço para referências e muitas saudades. Segundo ela, Banga é sobre a importância do respeito pela mãe natureza. Talvez isso explique o álbum ser mais calmo, uma espécie de soft punk.

“Amerigo”, primeira faixa, pede: “Hey, wake up!” e emenda com “we are going”: é a forma sutil de Smith chamar para ouvir um novo álbum com a delicadeza e a maturidade dessa produção. Já a segunda faixa, “April Fool”, é toda cantada e foi eleita o single de lançamento. O disco é cheio de referências, e próprio nome do álbum é a primeira delas. “Banga” foi inspirado no cão romance do russo Mikhail Bulgákov, Margarita e o Mestre.

No meio desses recortes de memórias, encontramos “Fuji-san”, mais dark, com batidas secas que lembram a Patti Smith punk. Uma das mais agitadas, tem direito a uivos de cachorros e um encerramento com falas de de um jeito mais duro.

Ainda temos faixas como “This Is The Girl”, dedicada a Amy Winehouse (apesar da poeta jamais tê-la conhecido), “Nine”, em homenagem ao ator Johnny Depp, e “Maria”, com referências à atriz francesa Maria Schneider, ambas falecidas ano passado. O álbum finaliza com “After the Gold Rush”, com direito a coro de crianças e um toque de esperança.

Ao ouvir “Banga”, notamos que Patti Smith continua a lidar com sentimentos de uma forma branda e muito profunda e enxergamos, na música, a autora de “Just Kids”, com toda sua bagagem cultural, sem esquecer de pessoas importantes como o Robert Pattinson, o que torna um disco bom (ainda que longa de seus clássicos do passado), de uma Smith que continua na atividade, mesmo que suas novidades não tenha intervalos marcados, com toda aquela emoção de saber quando terá um próximo disco.

PATTI SMITH
Banga
[Columbia, 2012]

Nota: 7,3

http://www.youtube.com/watch?v=o72S2JigEE8

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