HQ Jennifer Blood tem arte do brasileiro Adriano Batista e o velho combo escracho-violência de Garth Ennis

Garth Ennis está novamente em sua zona de conforto – violência e situações absurdas – em Jennifer Blood, série que a Panini lança nas bancas em formato de encadernado. Este primeiro número traz as seis primeiras edições que saíram nos EUA. Os desenhos são do brasileiro Adriano Batista.

A personagem-título é uma dona de casa que leva uma vida dupla. Em um momento ela está interpretando o papel de mãe e mulher dedicada, fazendo ovos mexidos para o marido, ensinando dever de casa dos filhos e participando de festinhas na vida calma dos subúrbios. Em outro, ela é uma assassina altamente treinada, que extermina com requintes de crueldade gangues de mafiosos.

Parte do prazer da HQ é descobrir suas motivações, por isso evitaremos contar as razões dela seguir como uma justiceira. Ennis parece mais solto no texto, colocando doses de sarcasmo, mas carece de inovações narrativas. A todo tempo, ele emula o que já fez durante sua passagem em Justiceiro, essa sim uma HQ radical. Tudo é contado em formato diário, outro recurso batido para o autor. As cenas de ultra-violência ganham certo dejavú, mas ainda conseguem surpreender o leitor, como quando Jennifer usa as entranhas de um criminoso para formar suas iniciais.

A fleuma da personagem, suas piadas e o tom quase sádico funcionam bem quando compreendemos o estilo de Ennis de ser exagerado em suas abordagem da violência. Como Tarantino, o escritor quer mostrar o ridículo das situações pela via do escroto. As referências ao sadomasoquismo são hilárias. O brasileiro Adriano Batista foi o responsável pelos esboços iniciais dos personagens e assina as primeiras edições. A arte tem traços firmes para realçar os momentos mais sangrentos e cenas com muito sangue, mas também funcionam na vida pacata de Jennifer com sua família. O desenhista, no entanto, acabou abandonando o projeto em edições futuras, assim como o próprio Ennis.

Lançado nos EUA pela Dynamite, a HQ segue com mais de 20 edições. Espera-se que a Panini lance os novos volumes. Para fãs de Ennis e apreciadores de violência fast-food para dar boas risadas, a HQ é indicada. [Paulo Floro]

JENNIFER BLOOD
Garth Ennis (texto), Adriano Batista, Marcos Marz, Kewber Baal (arte)
[Panini, 164 págs, R$ 19,90 / 2012]
Tradução: Paulo França e Bernardo Santana

Nota: 7,2

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