A inquietação das redes sociais, o cotidiano vazio, a neurose da vida moderna e a banalidade de nossas existências online alimentam as tiras incômodas de Breno Ferreira, quadrinista que publica em livro sua série de tiras Cabuloso Suco Gástrico, no ar desde 2012. A azia causada por esses dilemas e situações contemporâneas servem de base para um quadrinho poético, por vezes experimental.

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A coletânea de tiras saiu no final de dezembro do ano passado pela editora independente Elefante e reúne 100 tiras da série, sendo 10 delas inéditas.

O trabalho de Ferreira encontra parâmetro nas narrativas surreais de nomes como Liniers e Kioskerman e na temática compartilha o pessimismo (e cinismo) presente na obra de Bruno Maron. Mas seu diferencial é caminhar sempre pelo campo do absurdo. Mas aquele absurdo que reside na incapacidade humana de encontrar significado na vida.

O Cabuloso Suco Gástrico tem um desenho sujo, com desenhos que soam perturbadores em alguns momentos (o homem que tinha torneiras no lugar de mãos e coisas do tipo), mas que arrancam risos por nos colocar em contato com nossas próprias neuras. Enquanto obras que apostam no nonsense como Liniers e Laerte apostam numa estética fugidia, de sonho, Ferreira usa a mesma estética, mas em um campo mais próximo do cotidiano reconhecível por todos.

Sua imagem mais forte é a conversa de duas mãos segurando dentaduras. Parecem mãos da mesma pessoa conversando sobre questões banais, mas puramente existenciais.

Com um estilo próprio e ideias interessantes sobre nossos dias, Breno Ferreira revitaliza a tradição das tiras nacionais com um tom poético e sujo que vale a pena ser mais conhecido. Recomendo a entrevista do autor ao colega Ramon Vitral, do Vitralizado. Acompanhe também o blog.

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