Onipresença no Carnaval do Recife, Eddie fez seu disco mais difícil

Por Juliana Simon

É no verão que as coisas acontecem, dizem. Sob esse mote, a banda Eddie lançou seu quinto disco “Veraneio”. Menos vibrante que o esperado, a promessa de uma trilha para a estação decepciona em boa parte do álbum. Ao primeiro “play”, o pop solar “Delírios espaciais” impressiona e anuncia o que seria um trabalho de músicas animadas. Depois dela, somente a faixa título e “Casa de Marimbondo” chamam mais atenção. A primeira conquista pela guitarra e pelo refrão com um marcante jogo de vozes. A segunda é um baião rock delicioso.

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Instrumental, “Intervalos” pode passar despercebida por muitos, mas merece a audição. Violão e trompete coordenados em lentidão. Cara de fim de tarde na praia. “Ela Vai Dançar”, feita em parceria com Lirinha, também está presente também no CD do ex-vocalista do Cordel do Fogo Encantado. Em “Veraneio”, ganha outra versão um pouco mais apagada, mas ainda gostosa.

O restante do disco não emociona. O reggae em falsete “O Saldo da Glória” – uma parceria com Otto – exagera na calmaria e cansa. O mesmo acontece com “Tanta Coisa Na Vida”, que joga uma boa letra em uma melodia entediante. E a história se repete com “Você Quer Ir Frevar?”, sambinha em eco e sem graça. “O Parque de Diversão” tem uma tema bonitinho, letra simpática, mas é outra que peca pelo ritmo arrastado.

“Gloria Dub” é “O Saldo da Glória” muda e “Delírios”, do Dj Dolores, fecha o álbum com recortes eletrônicos confusos. São viagens e mais uma vez sem o brilho esperado. Com, digamos, quatro músicas e meia de destaque em 11, este é o CD mais difícil do grupo. Ainda assim, vale a pena procurar nas ótimas e nas boas faixas os traços do tal veraneio. Mas sem a histeria da animação, pois nessa trilha os dias de sol são muito menos apoteóticos.

EDDIE
Veraneio
[Independente, 2011]

Nota: 6,9

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