Crítica-Disco: James Blake lida com os próprios demônios em The Colour In Anything
NOTA8.5

James Blake seguiu uma das principais tendências do mercado nos últimos anos e soltou um disco-surpresa. Mas o que mais impressionou seus ouvintes foi sua tentativa em buscar novas propostas sonoras. O músico inglês decidiu ir em caminhos contrários à elegante sobriedade e minimalismo que vimos em trabalhos anteriores.

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The Colour In Anything chama atenção pelo “maximalismo” (ao menos para os padrões de Blake), com arranjos cheios de orquestrações, batidas sobrepostas e uma diversidade de elementos e influências que fazem deste álbum o seu trabalho mais arriscado. Com 17 músicas e mais de oitenta minutos de duração, o álbum soa como uma busca do músico por novas propostas sonoras. Uma tentativa de não ficar preso a trabalhos impecáveis do passado que poderiam limitá-lo em uma carreira a longo prazo.

É também o mais emotivo disco de Blake até aqui. Sua voz segue como um elemento de destaque nas músicas, sempre à frente, mas aparece ora frágil (“Put That Away And Talk To Me”) ora angustiada (a ótima “Always”). Há também participações especiais, como Frank Ocean em “My Willing Heart” e Bon Iver em “I Need A Forest Fire”.

Aos 27 anos, Blake parece evocar o mal-estar de uma geração, ainda que não tenha intenção de ser porta voz de nada. As letras deixam transparecer um incômodo existencial, um medo da solidão, ao mesmo tempo em que tratam da inabilidade emocional. Entram no bojo digressões sobre a fama, relacionamentos falidos e problemas familiares.

Blake traz suas questões pessoais, com um leve toque de melodrama, para um campo da música eletrônica moderna – que domina como poucos. É um disco bem depressivo, confessional como nunca e, ainda que soe irregular em sua longa duração, reflete um artista no auge da sua criatividade e sensibilidade. Ficamos curiosos para o novo Blake que vai sair dessa catarse pessoal que é The Colour In Anything.

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