O NOVO VELHO HIP-HOP
Estrela de Tropa de Elite, André Ramiro traz ideias cansadas em sua estreia como rapper

Por Paulo Floro

O papel de um herói, um agente do Bope com ética e senso de justiça em Tropa de Elite 1 e 2 garantem pontos extras para a estreia do ator André Ramiro em disco. E agora, o Capitão Matias lança As Crônicas de Um Rimador, para download gratuito. Todo cercado de bons produtores (Damien Seth, DJ Pachu) e participações que servem para ciceroneá-lo na cena do rap nacional.

Mas, claro que Ramiro não precisa de nenhum ‘street cred’, já que, criado na comunidade Vila Kennedy, no Rio de Janeiro, ele se assemelha bastante ao personagem de Tropa de Elite que o tornou famoso: humilde, honesto, etc. Seu carisma que deu tão certo nos filmes (fez também o muito bom Última Parada 174), foi transportado com facilidade para a música. O problema é que ainda que tenha uma produção muito bem acabada e que muitas faixas poderiam perdurar como hits, o álbum falha como ideia e se revela ingênuo.

A ideia de Ramiro do Hip Hop ainda está ligado ao que o gênero tem de mais conservador. O embate maniqueísta, a velha luta contra o sistema, tudo gerou letras óbvias, cansativas. É como se em sua estreia, o rapper ator-cantor já chegasse defasado. Até na intersecção do samba com o rap, ele mostra repetição. Como produto pop, As Crônicas de Um Rimador mostra-se bem intencionado em ser um disco comercial bem redondinho.

E músicas como “José Camelô” e “Alma de Criança”, com participação de Gabriel, o Pensador poderiam fazer sucesso, tocar em rádio, novela, caso a indústria musical levasse o Hip Hop mais à série e sem preconceito. Faltou um tanto de ousadia à estreia de Ramiro, mas sua simpatia vai ajudá-lo nesse início.

ANDRÉ RAMIRO
As Crônicas de Um Rimador
[Independente, 2012]

Nota: 5,1

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