Brüno (Foto: Universal Pictures/ Frank Ockenfels/ Divulgação)

SEM LIÇÃO NEM REGRA PARA LEVAR TV AO CINEMA
Brüno, estrelado por Sacha Baron Cohen, quebra todoas as imposições morais e éticas levando a plateia ao autodeboche sobre a condição do gay assumido e pintoso
Por Fernando de Albuquerque

BRÜNO
Dir. Larry Charles
[2009, 83 minutos]

O autodeboche sempre foi uma ótima fórmula para atrair plateias, permitir o riso e fazer dinheiro na indústria cinematográfica. Mas o que o inglês Sacha Baron Cohen faz é transportar todas aquelas velhas piadas e pegadinhas da TV, tão recorrentes na programação do SBT, para a tela do cinema. Alguém até poderia bradar que seu território é o de Peter Sellers, apagando a fronteira entre o documentário e ficção, para criar um novo ideário da comédia. Mas o terreno em que ele pisa é o Flor, Ratinho, Sérgio Malandro e Pedro Di Lara.

E o principal recurso de Sacha é o de contracenar com pessoas desavisadas e filmá-las em situações embaraçosas (quando as cenas são ensaiadas, com atores, seu humor se banaliza) impelindo a plateia a romper as tradicionais barreiras da comédia.

E se em seu longa anterior, Cohen apostava na xenofobia latente de seus entrevistados, os confrontando com um estrangeiro, em Brüno, o foco é a homofobia. O personagem do jornalista austríaco e gay assumido e escancarado faz de tudo para tirar de seus involuntários parceiros de cena reações constragedoras.

Assim, o filme chega a momentos verdadeiramente impagáveis, especialmente o que envolve o congressista republicado Ron Paul, convidado para uma suposta entrevista com o repórter, mas que acaba preso num quarto junto com o lascivo “jornalista”. Quando Brüno resolve tirar as calças, o senador sai do quarto aos gritos, revoltado. Mais do que a reação – quem não a teria, aliás? – assusta a incapacidade do político em reconhecer ali uma óbvia “pegadinha”.

E o que dizer de Paula Abdul, que dá uma entrevista sobre seus projetos humanitários sentada sobre um mexicano que faz as vezes de banco? O fato da jurada do “American Idol” não perceber a óbvia brincadeira só pode ser explicado pelo estado de letargia em que vivem as celebridades. Todas sempre acostumadas a ter quem pense por elas.

São de cenas assim, basicamente pequenas esquetes que caberiam perfeitamente num programa de televisão que Brüno extrai seu humor. É impressionante como Cohen tem a capacidade de ir sempre além, totalmente desprovido de freios morais. Ao público, resta cobrir os olhos com uma das mãos numa tentativa frustrada de não olhar enquanto não consegue conter as inevitáveis risadas.

E seguindo essa linha do completamente incorreto, Brüno bate os récordes de ultraje e incorreção fazendo Borat parecer um verdadeiro conto da carochinha. Outro momento alto da narrativa é a cena em que ele faz sexocom o espírito do cantor Milli Vanilli diante de um médium completamente forjado e sem ação.

Mas verdade seja dita: a fórmula bem sucedida de Cohen é tão datada quanto a utilizada por Michael Moore – autor de Tiros Em Columbine, entre outros. Afinal, depois que todas as barreiras forem demolidas e todas as críticas permeadas por clichês demolida, o que restará para atacar?

Ah, outro ponto fraco se refere ao acúmulo de provocações acaba por neutralizar por completo boa parte do efeito do humor. Uma pena.

NOTA: 7,0

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