FALTOU TEMPO PARA O BLOC PARTY
Banda inglesa corre para disponibilizar disco na web para download antes mesmo que da prensagem e do lançamento oficial e peca pelo mal acabamento da obra
Por Lidiana de Moraes

BLOC PARTY
Intimacy
[UK , 2008]

Com a constante rotação do mundo do entretenimento, aquele clichê musical sobre a existência de uma tal “maldição do segundo disco” já era. No estado em que o mercado fonográfico está não faz muita diferença se é o primeiro ou décimo disco de uma banda, se ela pisar na bola, o risco de dançar é grande.

O Bloc Party é uma das bandas da nova geração do gênero chamado rock indie, ou revival pós-punk, que teve um disco de estréia louvável, o Silent Alarm (2005). Eles conquistaram admiração e seguidores fiéis através de suas guitarras eficientes e melodias cativantes, cantadas pelo carismático Kele Okereke. No segundo trabalho, A Weekend in the City (2007), ocorreu uma divisão de opiniões. Já havia uma perda das características mais marcantes do quarteto, entretanto podia se perceber que estávamos de frente com uma banda capaz de seguir em frente através de diferentes vertentes musicais. Agora, em 2008, os ingleses colocam mais uma pulga atrás da orelha dos ouvintes com o disco Intimacy. Temos mais uma mudança acertada, ou um passo em falso?

O lançamento do cd está marcado apenas para outubro, no entanto, já está disponível na internet, seguindo o preceito de que roqueiro que se preze acompanha a velocidade da era digital. Este período tão ágil na hora de disponibilizar material para os fãs de música parece ter exercido uma pressão exacerbada sobre a banda londrina. Intimacy em alguns momentos soa como sobras de estúdio dos dois projetos anteriores. E convenhamos, se elas “haviam sobrado” antes era por um bom motivo: elas não exercem metade do fascínio que um dia “Banquet”, “Helicopter” e “I still remember” exerceram sobre o público havido de canções marcantes.

O primeiro single “Mercury” soa super produzido, cheio de efeitos eletrônicos que apagam o punch sonoro que o Bloc Party mostrava no início da carreira. Se no tempo de Silent Alarm eles chegaram a ser considerados um dos melhores shows de rock da Inglaterra, agora essa honraria parece inviável.

“Ares” é outra música que se junta ao conjunto de faixas cheias com barulhinhos criados digitalmente. No entanto o riff de guitarra que acompanha a bateria ritmada, lembra os momentos mais prolíficos do Chemical Brothers, um bom exemplo a ser seguido por aqueles que querem mexer com rock n’ beats.

Fazendo uma comparação entre as influências que moldavam as melodias das primeiras canções até as atuais é perceptível a mudança de trajeto tomada pelos músicos. Se a princípio eles preferiam harmonias mais cruas, com uma forte aparência de Gang of Four, principalmente na linha de baixo, e de The Jam, nas guitarras, agora eles parecem dominados pelo som onírico e transcendental criado por grupos mais contemporâneos como TV On The Radio. Mas essa transformação ainda não denota tanta receptividade em relação aos seus méritos, uma vez que. em diversos momentos, como em “Zepherus” a banda parece perdida na descoberta deste jeito novo de fazer música.

Porém, antes que você tenha vontade de atirar a primeira pedra, calma… nem tudo está perdido para o Bloc Party. Canções como a romântica “Ion Square”, a titilante “Signs” e as caústicas “Halo” e “One Mouth Off” salvam a pele do grupo. Intimacy não tem tantas qualidades como Silent Alarm chegou a ter há três anos. Contudo sempre é possível tirar uma lição dos erros que são cometidos. Agora, Kele e companhia precisam aprender que a ladainha “a pressa é inimiga da perfeição” tem muito sentido, principalmente quando se faz parte da feroz e competitiva engrenagem da indústria musical.

NOTA: 6,0

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