POP GOTICO EM SOM E QUADRINHOS
Em primeiro livro da série Mojo Comix Martinelli e Salimena recontam música mais famosa do Bauhaus
Por Paulo Floro

BELA LUGOSI’S DEAD
Leo Martinelli (texto) e Raphael Salimena (arte)
[Mojo Books, 20 págs, Download gratuito no site]

Em 1978, a banda pós-punk inglesa Bauhaus criou o que seria considerado mais tarde o precursor do rock gótico, a música “Bela Lugosi’s Dead”. Obcecados por ícones do Expressionismo, a idéia era satirizar filmes como Drácula e Nosferatu. A piada acabou gerando um culto que dura até hoje. Os quadrinhistas Leo Martinelli e Raphael Salimena captaram o espírito jocoso da obra máxima do Bauhaus e criaram uma adaptação em quadrinhos que faz parte da nova série da Mojo Books, a Mojo Comix.

Lançada pela revista eletrônica Speculum, a Mojo Books é uma iniciativa exitosa que se propõe a adaptar clássicos da música pop para a literatura. Os primeiros volumes tiveram como autores Luiz Cesar Pimentel (criador da revista ZERO) e o jornalista e roteirista Ricardo Giasseti. A partir deste mês, o projeto também contempla quadrinhos. E a estréia com dois jovens promissores autores do quadrinho independente nacional mostra que a série tem futuro. Martinelli e Salimena desenvolvem a hq St. Bastard, ainda sem editora. A qualidade dos desenhos e texto impressionam. Não demorará, a dupla estará no mercado internacional.

Nesta HQ, eles criaram em apenas 20 páginas, uma historieta de humor afiado e mórbido. Bela Lugosi recebe a visita de Christopher Lee, ator que por diversas vezes encarnou o Conde Drácula em Hollywood. Os dois iniciam um embate ideológico, já que Lee representa o ideal de um cinema que se esforça em ser cult, enquanto Lugosi com sua teatralidade exagerada, é mais tosco. Referências a nomes importantes do cinema pop, como George Lucas e Tim Burton não faltam. Falando em Lucas, a cena final da história é genial e utiliza um dos maiores símbolos da filmografia do diretor.

Não faltam batalhas entre os dois velhacos vampiros, ora transformados em morcegos, ora com com olhar hipnótico. Mesmo com poucas páginas, a narrativa surpreende o leitor a todo momento. A dupla compreendeu a proposta do Bauhaus e fez, 30 anos depois a melhor representação do gótico que nada mais é que uma paródia de si. Como Bela Lugosi.

NOTA: 9,0

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