Da Revista O Grito!, em Angoulême, França

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Festival lotado hoje. A chuva deu uma ré e o sol decidiu aparecer, ainda que discreto, em Angoulême. 6 graus. Com mais pessoas visitando a cidade as filas também ficaram maiores. Quase todas as exposições contavam com longo tempo de espera e alguns eventos se tornaram inviáveis por pura questão de espaço. Quem também deixou para ver os debates sem ter reservado espaço também não teve muito sucesso. Até a exposição ao ar livre de Titeuf, na praça da prefeitura, estava com aglomeração. Então, por isso que hoje foi o dia ideal para checar melhor os pavilhões com os estandes das editoras e autores. Vamos lá!

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Le Monde Des Bulles
O espaço é dedicado às editoras de quadrinhos voltadas para o público em geral, tanto adulto quanto infanto-juvenil. É o pavilhão mais variado de todos e foi possível encontrar desde Corto Maltese até Jason, passando por obras de autores americanos como Crumb, Chis Ware, entre outros. Há muita coisa já conhecida ou edições originais do que já saiu no Brasil. Glénat, Delcourt, Casterman, todas as grandes casas editoriais francesas estão aqui, além da multinacional Panini trazendo seus super-heróis licenciados.

Pavilhão Manga
O nome já diz tudo, ok, mas esse pavilhão reserva muitas surpresas, pois reúne nomes não só do Japão, mas de vários países orientais. Taiwan trouxe uma delegação enorme e seus agentes estão fazendo uma promoção pesada de seus autores. Tem ainda trabalhos sul-coreanos, chineses e até vietnamitas. Do Japão há uma enormidade de coisas, desde coleções completas de grandes obras como Lobo Solitário até trabalhos mais experimentais que fogem do lugar-comum.

Negócio gigante esse Le Monde des Bulles.

Le Nouveau Monde
O meu preferido. Aqui é possível encontrar editoras de quadrinhos com foco mais alternativo, experimental e inovador. Aqui também estão os estandes dos países que decidiram formar uma espécie de delegação para promover seus autores. Cite um país, qualquer um. É bem provável que encontremos por aqui. Bélgica montou dois estandes enormes; os nórdicos todos vieram com quadrinhos lindos, muitos deles bem experimentais; Chile também levou HQs, assim como Nova Zelândia, Austrália, México, Espanha, entre outros. Encontrei muitos quadrinhos da África, que ganhou até um debate dentro da programação do pavilhão, além de conhecer mais sobre o quadrinho do Oriente Médio. O Nouveau Monde tem ainda as editoras médias e pequenas, como a Ça et La, que publica Marcelo Quintanilha e Marcelo D’Salete, a Misma, que lança o Hanselmann, entre outras.

Espace para BD
Aqui é para quem ama colecionáveis. Tem de tudo: de bonecos articulados a esculturas, tudo bem caro e bem bonito. É o espaço dedicado a produtoras e lojas de artigos derivados de quadrinhos, como copos, serigrafias, quadros, pinturas. Mas também reúne sebos, colecionadores e vendedores de originais.

BD Alternative
Outro que amei. O festival reuniu autores independentes, coletivos e grupos que criam trabalhos experimentais, de baixa tiragem e bastante inventivos. Tem desde fanzines até livros, mas sempre com um toque muito artesanal. Vi que o espaço também reúne oficinas, encontros e debates, mas Angoulême é tão gigante que acabei perdendo essa programação.

Há ainda outros espaços, fechados, dedicados a agentes e editores para fazer negócios. É bem legal perceber que o festival é também um espaço empreendedor, como acontece já em festivais de cinema. Por isso que, assim como as comicons, vir a um evento desse porte é um investimento importante para a carreira de quadrinistas e editores.

Por fim, essa ideia massa: uma vending machine de gibis:

* O jornalista viajou em parceria com o Institut Français e o Consulado Geral da França no Recife.

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