Amy Mcdonald (Foto: Divulgação)

MUITA MÚSICA E SONHOS ADOLESCENTES
Com trilha que mistura o ideá¡rio folk ao chicletismo pop, canadense exibe sua receita de sucesso
Por Fernando de Albuquerque

AMY McDONALD
This is Life
[Vertigo, 2008]

Idade e referência musical são duas palavras cujo significado na construção sonora do artista soam como efeito de causa e conseqüência. Difícil encontrar alguém em que a verve esteja no pop e que, na casa dos 20, ainda procure referendar-se no que foi praticado nos anos 50, por exemplo. Mas isso são somente suposições que justificam o exato lugar em que a canadense de 21 anos chamada Amy McDonald foi buscar as influências para construir sua própria identidade. A lista está repleta de gente como Travis, Red Hot Chili Peppers e Libertines. E é dessa amálgama que surge This Is Life, disco com título homônimo à  música de trabalho da cantora e que fala como quis viver depois que bisbilhotou um show do Baby Shambles, logo que Pete Doherty saiu do Libertines.

De origem canadense, mas com um inexplicável “pé” nas ilhas britânicas, Amy faz parte do não mais seleto grupo de novas meninas que encantam o mainstream com rostos novinhos e bom talento musical. A estirpe contudo se tornou tão difundida mundo afora que é possível trombar com uma nova Mallu em qualquer esquina paulistana. O diferencial de Amy está na própria construção musical que mistura folk com uma boa dose de pop. Este último mais expresso nas letras recheadas de ideário adolescente de ser um astro rock ou de se perder o namorado recém conquistado. Mas contra todo e qualquer tipo de embargo, Amy está muito mais preocupada em cantar do que possuir um bom produtor. Em sua voz é possível sentir a sinceridade dos que estão muito longe das megaproduções focadas nas vendas.

A primeira faixa, “Mr. Rock And Roll”, é a mais bem resolvida das canções de um disco com pouco mais de 30 minutos e uma certa dissonância narrativa. “This is the life” é a principal canção que troca seu tom fatídico pela potência de uma voz que pede a vingança em “Poison Price” e destagua na justificativa de se tornar artista em “Let’s Start a Band”. As contradições continuam quando o disco chega em uma animada faixa sete, “Barrowland Ballroom” e acaba com o tom grave da felicidade de se estar sozinho em “L.A.” e a tristeza profunda de “Footballer’s Wife”.

Os olhos se abriram para McDonald muito mais pela sua colocação na lista de discos mais vendidos das últimas semanas. E quando seu nome apareceu a pergunta foi um “who is thar girl” de tom meio irônico. A principal correlação quando se vê as fotos dela e logo depois se ouve o disco é que ela nada mais é do que uma mistura de Adele magra com Aimee/ Duffy mais autoral. Isso vai fazer com que ela não dure muito no mercado fonográfico, mas custa nada ouvir o CD da gata!

NOTA: 5,0

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