Air tenta recuperar tempo perdido e se re-inventa para a nova década

AIR
Love 2
[Virgin, 2009]

Quando surgiu em 1998 com seu disco de estreia, Moon Safari, a dupla francesa Air adicionou pitadas de sexo ao Trip Hop de nomes como Massive Attack e Portishead. Mesmo não se afiliando de fato ao movimento surgido na metade dos anos 1990, aproveitaram o bom momento que a música eletrônica vivia na época e se tornaram conhecidos por um estilo de fazer música que recuperava a sensualidade de Serge Gainsbourg, com direito a sussurros ao pé do ouvido e voz trêmula de prazer. Surgia outro bom momento na eletrônica que fazia contraponto com os vocoders bate-estaca do Daft Punk. Love 2, novo disco da dupla, tenta recuperar os bons momentos do início da carreira.

Em Love 2, a intenção da dupla são nas canções, em detrimento da paisagem sonora que poderiam desenhar em cada música. Ainda que o disco tenha poucos candidatos a hit, ao contrário de Moon Safari, eles acertaram em trabalhar as músicas de maneira tradicional, sem experimentalismo como 10,000 Hz Legend ou Walkie Talkie, seus discos anteriores. São 12 faixas em que se percebe o Air do final da década passada, com doçura e sensualidade na medida certa, ainda que neste aqui, eles caprichem mais nos riffs de guitarras que qualquer outro trabalho.

Ao deixar a atmosfera setentista para trás, a dupla acena para o novo século, se re-inventa sem jogar fora suas características marcantes. Vagando por mais de 10 anos numa espécie de viagem experimental, que ainda teve uma trilha sonora de Virgens Suicidas no caminho, o Air parece que acena para o apelo pop que tinha no passado. A postura da banda não se faz apenas no álbum. Desde o início do ano, eles trabalham com virais na internet de forma a chamar atenção de um outro público. A primeira MP3 a ser distribuída através de um mailing list foi “Do The Joy”, uma balada sensual que decalca o maior hit “Sexy Boy”, do Moon Safari. O disco também foi disponibilizado no MySpace.

Ao tentar recuperar o tempo perdido em que vagou num limbo pop, o Air está claramente interessado em fazer parte da ebulição que vive a música ocidental em tempos de internet. Este ano, se apresentaram no Coachella, e realizaram pela primeira vez uma turnê com o V Festival, pela Austrália. Fundado em Versalhes, França, em 1995 por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, o Air já tem sua importância garantida na música. Eles abriram espaço para que diversas bandas pegassem carona num estilo que defendiam, comoThe Knife, M83, Roykshop, entre outros. Também ajudaram a deslanchar a carreira musical da filha de seu maior ídolo, Charlotte Gainsbourg, ao produzirem o disco de estreia da moça, 5:55.

Se Love 2 não supera os bons momentos do Air, ao menos o coloca de volta no caminho certo. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0

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