Filme de Jorge Fernando tenta se fazer divertido, mas peca em detalhes da produção
Por Lidianne Andrade

A GUERRA DOS ROCHA
Jorge Fernando
[A Guerra dos Rocha, Brasil, 2008]

Uma boa briga de herança toda família que se preze já teve. A casa de um tio abandonada após o falecimento, o carro de um avô… Hilário talvez fique se esta briga com direito a lavagem de roupa suja acontecesse durante o velório da mãe. No caso de A Guerra dos Rocha , em cartaz no cinema desde a última sexta-feira, o objeto de desejo é um baú, supostamente contendo jóias.

A defunta e dona da herança é Dona Dina, interpretada divertidamente por Ary Fontora. Com seus 80 e poucos anos, sente dificuldade com toda esta tecnologia da época atual e a maneira louca dos seus filhos viverem. Tenta se adaptar, mas é totalmente incompreendida e, expulsa da casa pela nora, vaga por entre as três casas de seus filhos Marcelo (Lucio Mauro Filho), o nervoso empresário César (Marcello Antony) e Marcos Vinícius (Diogo Vilela). Enquanto os filhos brigam para quem acolherá, acontece um acidente de carro na rua e, pela semelhança do vestido, é dada como morta.

Com roteiro de Maria Carmem Barbosa e direção de Jorge Fernando, ambos veteranos no meio cinematográfico, A Guerra dos Rocha traz uma nova roupagem para a temática da crise familiar. Acertou desde a escolha do elenco principal experiente que, assim como o diretor, todos fazem parte do grupo classe A de atores da Rede Globo de Televisão, talvez em uma tentativa clássica de obter maior identificação com o público já pelo cartaz. O longa traz como proposta principal do roteiro a releitura de valores éticos e familiares, mostrando que muitas vezes deixa-se de lado o que mais importa e tornando real o velho jargão: só se dá valor ao que se perde. Faz lembrar ainda o amor mãe e filho, único acima de qualquer degradado.

Incrível como uma trilha sonora ruim pode estragar um filme. Infelizmente, em A Guerra dos Rocha, uma mão errou na hora da montagem e traz uma sonoplastia horripilante. Um som constante na sala de exibição beirando a irritação. Talvez alguém esqueceu que é cinema e não televisão. Não há nenhum momento de silêncio absoluto, sempre em volta com uma musiquinha sarcástica ou tiradinha divertidas, beirando o desespero e vontade de desligar o bakground e partir apenas para os diálogos. Mas tudo superável na lição de moral final: fazer o espectador pensar sobre a situação dos idosos e os relacionamentos familiares. Para os curiosos, a drag queen do final é sim Jorge Fernando, o diretor que não deixa de atuar sempre que tem a oportunidade.

NOTA: 6,0

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