Comédia com Anna Faris retoma o discurso sonolento de que aparência não é tudo
Por Lidianne Andrade

A CASA DAS COELHINHAS
Fred Wolf
[House Bunny, EUA, 2008]

No boca a boca da popularidade, toda loira bonita é burra. Cineastas e intelectuais brigam em afirmar que é lenda, preconceito e até brincadeira de bom grado e sem pretensão, mas, vez ou outra, sai um filme levantando a temática. Legalmente Loira, As Patricinhas de Bervelly Hills, as quatro edições de Todo mundo em pânico também tinha a sua própria loira, que por sinal era interpretada por Anna Faris, a mesma que dá vida a personagem principal de A Casa das Coelhinhas (House Bunny, EUA, 2008), nos cinemas desde a última sexta-feira.

O longa traz Faris no papel de Shelley Darlingson, uma coelhinha da Playboy com duas funções na vida: ter um corpo escultural e festejar. Ao completar 27 anos, a loira nada inteligente e com uma voz maçante e lenta como uma conexão baixa de Internet é expulsa da mansão Playboy e, procurando uma nova moradia, vai parar na república universitária Zeta, tendo como moradoras um grupo de garotas excluídas socialmente e aparentemente feias. O aparentemente é prólogo para o que vem, tão claro quanto em todo roteiro de comédia de sessão da tarde: as mulheres sem sal vão tornar-se beldades desejadas por todo o campus universitário.

Bobinho até o último minuto, A Casa das Coelhinhas traz um roteiro repleto de piadas baratas que já deram certo na telona, deixando Fred Wolf (que tem no currículo a comédia Strange Wilderness) em uma posição bastante confortável: será uma comédia divertida. As piadinhas, mesmo sendo um grande replay, ainda arrancam risos, já que não há nada de muito inovador em uma loira burra que se apaixona por um cara inteligente e descobre que ele a quer pelo jeito que ela é. Shelley se coloca em situações hilariantes como tentar reproduzir a grande cena de Marilyn Moore em O Pecado Mora Ao Lado, quando o vestido da bela atriz deixa voa para exibir suas pernas. Pena que a loirinha tenta fazer a sena de sedução total com o vapor saindo de um bueiro e queima as pernas.

As feinhas da Zeta também não ficam para traz e rendem risadas, escolhidas pelo estereótipos de qualquer grupo de amigas: uma tímida, uma inteligente mas nada agradável, outra com jeito masculinizado, uma hippie e feminista e assim por diante. As meninas, ao ficarem belas, tornam-se esnobes, mas a burra de bom coração Shelley Darlingson estará lá para lembrá-las que existe coisa mais importante que a aparência (ela mesma descobri isso em si). Ao longo desta narrativa, milhões de cenas soam exageradas, como a retirada do aparelho de coluna de uma das Zetas por uma caminhada para a liberdade (neste caso para a paquera), total falta de noção ao copiar o clássico e perfeito Forest Gump.

Tudo em A Casa… é muito limpo e claro, deixando como atrativo principal o roteiro, que com certeza vai atrair milhões de adolescentes. Se não pelos looks da moda das meninas, falas jovens e descoladas que trará fácil identificação com seu público alvo, as adolescentes, será pela trilha sonora: hits bem atuais como Avril Lavigne e Rihanna. Vale uma conferida sem pretensão, para dar boas risadas e lembrar o quanto é tosca a adolescência americana. Como curiosidade, o elenco traz a participação da ex American Idol Katharine Mcphee e a filha de Bruce Willis e Demi Moore, Rumer Willis.

NOTA: 3,0

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