A FORÇA TRANSFORMADORA DE UM SONHO
A história de uma garota e seu amor pela natureza é o tema central da delicada peça A árvore de Júlia
Por Gilberto Tenório

O imponente Teatro de Santa Isabel foi o lugar escolhido para abrigar a aventura de uma garota e sua luta pela defesa da natureza. Baseada no livro El árbol de Julia, do espanhol Luis Matilla (que por sua vez se inspirou na real história de uma menina americana), A Árvore de Júlia é uma grata surpresa entre as produções pernambucanas encenadas ultimamente. Com uma equipe na sua maioria formada por nomes importantes do teatro local, a peça conquista pela delicadeza e esmerada produção.

O roteiro simples, mas bem amarrado, conta a história de Júlia (Olga Ferrario), uma garota que decide “morar” em cima de um Baobá ao saber que o bosque que abriga a sua querida árvore será destruído para a construção de uma fábrica. Contrariando sua melhor amiga, a atrapalhada Andrea (Luiza Fontes), Júlia passa a viver no topo de “Condor” (a árvore que, segunda ela, tem galhos que a fazem voar para longe).

Com a ousada atitude, Júlia cria uma verdadeira confusão na cidade: a avó (Ana Maria Ramos) não se conforma da decisão da moça, os operários da construtora (Luciano Pontes e Arílson Lopes) não conseguem executar o serviço e o prefeito (mais uma vez Arílson Lopes) luta para fazê-la mudar de idéia. A situação ganha outros contornos quando uma emissora de TV passa a cobrir o episódio. Mesclando comicidade e crítica ao circo televisivo, a repórter vivida por Fabiana Pirro (que também dá vida à narradora da história) consegue tirar boas gargalhadas do público – mesmo que, em muitos momentos, fique difícil de separar o que é atuação do jeitão “maneca forever” da atriz.

O maior deslize do espetáculo, mas que não chega a comprometê-lo, é a escolha de Olga Ferrario para protagonista. Filha da atriz e diretora da peça, Lívia Falcão, e de Cláudio Ferrario, a jovem de 16 anos mostra em sua grande estréia que ainda precisar lapidar o DNA famoso. Sua atuação como uma garotinha idealista não convence e ainda por cima fica ofuscada pela ótima Luíza Fontes, sem dúvida a melhor presença em cena, e pelas entradas da dupla Luciano Pontes e Arílson Lopes que, juntos, garantem o alívio cômico do espetáculo.

Contudo, A árvore de Júlia dá seu recado, se mostrando como uma boa opção teatral. Complementando a parte artística estão a belíssima trilha sonora (Siba e Gui Amabis), os desenhos e cenários (Joana Lira e Sudiocoisa), a iluminação (Luciana Raposo) e, principalmente, a direção de Lívia Falcão e a coordenação artística de Moncho Rodriguez, que soube unir bem todos esses elementos.

A ÁRVORE DE JÚLIA
Lívia Falcão
[Com Olga Ferrario, Luiza Fontes, Arílson Lopes, 2008]

Espetáculo teatral A Árvore de Júlia no Teatro Luís Souto Dourado no 18º Festival de Inverno de Garanhuns.

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