A temporada de premiações chega ao seu clímax neste domingo (15) com mais uma cerimônia do Oscar, momento em que meses de festivais, campanhas e apostas finalmente desembocam na consagração — ou na frustração — de alguns dos filmes mais comentados do ano. Como de costume, a corrida foi marcada por favoritos que se consolidaram ao longo do circuito de prêmios, mas também por disputas que permanecem em aberto, especialmente em categorias centrais como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator.
Para o público brasileiro, mais uma vez, o clima de Copa do Mundo já se faz presente. O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho, concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco. Mas o caminho até uma possível vitória não será simples. Entre os principais concorrentes está Pecadores, de Ryan Coogler, que se consolidou como um dos fenômenos da temporada ao acumular indicações e vitórias ao longo das premiações que antecedem o Oscar. Também aparecem com força Uma Batalha Após a Outra, novo trabalho de Paul Thomas Anderson, e Hamnet, drama histórico dirigido por Chloé Zhao que tem figurado com frequência nas apostas tanto para Melhor Filme quanto para Melhor Diretor.
Correndo logo atrás — e longe de serem apenas coadjuvantes na corrida — estão títulos como Valor Sentimental, de Joachim Trier, além de outras produções que ajudaram a compor uma temporada particularmente diversa em estilos e abordagens. Entre dramas históricos, filmes de forte assinatura autoral e produções de maior escala, o Oscar deste ano reúne uma safra que mantém várias categorias abertas até os últimos momentos.
Diante desse cenário, reunimos a equipe da Revista O Grito! para fazer aquilo que todo cinéfilo adora nesta época do ano: arriscar palpites. Quem vai ganhar? Quem deveria? E quais categorias ainda podem surpreender na noite mais imprevisível de Hollywood?
A transmissão do Oscar acontece neste domingo a partir das 20h na TNT, HBO Max e às 21h na TV Globo. Cidades como Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador farão eventos públicos para exibir a cerimônia.

Melhor Filme
Quem ganha: Uma Batalha Após a Outra
Quem deveria: O Agente Secreto
Se a imparcialidade da imprensa e crítica brasileira pode ser questionada quando o assunto é quem deve vencer Melhor Filme, precisamos demonstrar que não apenas nós somos a favor da vitória de O Agente Secreto na principal categoria da noite. O renomado crítico Peter Bradshaw, do britânico The Guardian, publicou uma bela análise sobre o porquê do filme de Kleber Mendonça Filho ser a obra mais audaciosa e melhor realizada, sendo merecedora, portanto, da conquista histórica. Assinamos embaixo.

Atriz
Quem ganha: Jessie Buckley
Quem deveria: Jessie Buckley
Esta é, talvez, a mais fácil previsão do Oscar 2026. A interpretação de Jessie Buckley como a esposa de Shakespeare é feita com muita entrega, solidez e equilibra momentos de nuance e delicadeza com explosões de desespero. Ganhou tudo na temporada: Globo de Ouro, Actors Awards, Critics Choice, Bafta…. Seria um choque completo se a estatueta for entregue a uma outra atriz neste domingo.

Ator
Quem ganha: Michael B. Jordan
Quem deveria: Wagner Moura
Timothée Chalamet era o favorito quando as primeiras premiações da temporada começaram a sair, mas algumas declarações controversas do ator em sua campanha, alinhado a uma certa arrogância juvenil, o fizeram sair do páreo nas duas últimas semanas. Quem cresceu na hora certa foi Michael B. Jordan, que levou o BAFTA e sedimentou seu favoritismo. E é mesmo uma atuação espetacular. Mas o merecedor mesmo é Wagner Moura. Sem patriotismo, de verdade. O protagonista de O Agente Secreto traz uma interpretação menos “chamativa”, mas muito complexa, com nuance e presença de cena que traduz todo o misto de resignação, rancor, luto e raiva que seu personagem carrega, mas sem nunca transbordar por completo.

Atriz coadjuvante
Quem ganha: Amy Madigan
Quem deveria: Wunmi Mosaku
Páreo bem difícil de prever, mas com leve favoritismo para Amy Madigan. Se a atriz de A Hora do Mal vencer o ranço da Academia para filmes de terror, ela entrará no seleto grupo de vencedores que levaram a estatueta por um filme unicamente indicado nesta categoria. Para isso, ela terá que vencer nomes como Wunmi Mosaku, vencedora do Bafta, que está em Pecadores, longa que concorre a 16 Oscars.

Ator coadjuvante
Quem ganha: Sean Penn
Quem deveria: Delroy Lindo
Matematicamente, ou seja, pela quantidade de prêmios vencidos até aqui, Sean Penn é o grande favorito. Ele está excelente neste papel de um ultraconservador asqueroso, mas o crescimento de Pecadores nas últimas semanas pode favorecer Delroy Lindo, um ator septuagenário que merece um Oscar faz tempo.

Diretor
Quem ganha: Paul Thomas Anderson
Quem deveria: Ryan Coogler
A trilha percorrida por Paul Thomas Anderson na temporada é impressionante: o diretor ganhou o Globo de Ouro, o Critics Choice Awards, o BAFTA, o Producers Guild Awards (PGAs) e o Directors Guild Awards (DGAs). Um dos cineastas mais reverenciados da sua geração, PTA já foi indicado três vezes na categoria de Direção (por Sangue Negro, Trama Fantasma e Licorice Pizza), mas nunca levou a estatueta. Parece ter chegado a hora. De qualquer forma, uma vitória de Ryan Coogler seria igualmente compreensível (e justa). O diretor de Pecadores se tornaria o primeiro negro a vencer a categoria.

Roteiro original
Quem ganha: Pecadores
Quem deveria: Foi Apenas Um Acidente
Em uma das poucas categorias em que Pecadores não concorre diretamente com Uma Batalha Após a Outra, o longa de Ryan Coogler tem tudo para levar a premiação de Roteiro Original. Pensando no cenário sociopolítico atual, uma vitória de Foi Apenas Um Acidente seria uma ótima surpresa e reconhecimento à trajetória de um dos grandes cineastas iranianos vivos, Jafar Panahi.

Roteiro adaptado
Quem ganha: Uma Batalha Após a Outra
Quem deveria: Uma Batalha Após a Outra
Talvez uma das categorias mais previsíveis da cerimônia. Será bem surpreendente Paul Thomas Anderson perder a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado para filmes com menor impacto na temporada de premiações, como Sonhos de Trem e Bugonia. A concorrência mais forte reside em Hamnet; depende de como o filme de Chlöe Zhao será (ou não) bem aceito pelos votantes da Academia.

Filme Internacional
Quem ganha: Valor Sentimental
Quem deveria: O Agente Secreto
Absolutamente em aberto, a categoria de Filme Internacional deve ficar entre a Noruega e o Brasil. Considerando as nove indicações, incluindo Melhor Filme, Valor Sentimental deve levar o prêmio pela primeira vez para o país nórdico. Mas além da nossa torcida, O Agente Secreto fez uma belíssima campanha internacional e cresceu nas últimas semanas em sites especializados. Será que conseguimos repetir o feito um ano depois de Ainda Estou Aqui?

Animação
Quem ganha: Guerreiras do K-Pop
Quem deveria: Guerreiras do K-Pop
Será difícil bater o fenômeno pop na Netflix, que vem ganhando tudo na temporada (com exceção do Bafta, onde não era elegível). A categoria de animação vem sendo dominada por produções estrangeiras, então não seria surpresa Arco (França) levar a estatueta, mas é uma possibilidade pequena.

Elenco
Quem ganha: Pecadores
Quem deveria: O Agente Secreto
Nesta categoria estreante no Oscar, Pecadores deve vencer pela força de seu elenco incrivelmente bem selecionado. Mas O Agente Secreto tem boas chances aqui. O trabalho primoroso de Gabriel Domingues consegue trazer peso a cada personagem, independentemente do tempo em tela.
Design de Produção
Quem ganha: Frankenstein
Quem deveria: Hamnet
Este deve ser um dos três prêmios que a versão de Guillermo Del Toro conquistará na premiação. Entretanto, se pensarmos na melhor composição narrativa da direção de arte entre os indicados, Hamnet, sem dúvidas, leva vantagem e merece sair vitorioso.
Fotografia
Quem ganha: Uma Batalha Após a Outra
Quem deveria: Sonhos de Trem
A cinematografia de Michael Bauman para o longa de Paul Thomas Anderson é magistral. Porém, como brasileiros, não podemos deixar de torcer pelo conterrâneo Adolpho Veloso e seu primoroso trabalho em Sonhos de Trem. É difícil, mas há chances para o brasileiro.
Figurino
Quem ganha: Frankenstein
Quem deveria: Frankenstein
Se narrativamente o filme de Guillermo Del Toro é falho e passível de críticas, nos quesitos técnicos Frankenstein se sobressai como uma das grandes produções do ano. Uma das categorias quase certas para o novo filme do monstro criado por Mary Shelley.
Edição
Quem ganha: Uma Batalha Após a Outra
Quem deveria: Uma Batalha Após a Outra
A maior injustiça da cerimônia, caso o resultado seja outro. Durante suas quase três horas, o ritmo frenético e belamente orquestrado de Uma Batalha Após a Outra só é possível graças à grandiosa montagem assinada por Andy Jurgensen.
Cabelo e Maquiagem
Quem ganha: Frankenstein
Quem deveria: A Meia-Irmã Feia
A indicação (e possível vitória) do ótimo A Meia-Irmã Feia é um presente aos fãs do horror fora de Hollywood. Seria um ótimo reconhecimento à obra que reimagina a lenda de Cinderela. Mas o prêmio tem tudo para ser de Frankenstein.
Som
Quem ganha: F1
Quem deveria: Sirāt
Historicamente, filmes de corrida de carros costumam dominar as categorias de som no Oscar. É provável que a tendência siga neste ano. Em termos de merecimento, a imersiva composição sonora de Sirāt é impactante e merecia o prêmio.
Efeitos Visuais
Quem ganha: Avatar: Fogo e Cinzas
Quem deveria: F1
Os dois longas anteriores do universo Avatar venceram a categoria de Efeitos Visuais e o feito deve se repetir no próximo domingo. Veríamos com bons olhos, no entanto, o reconhecimento dos efeitos visuais práticos de F1, trabalho no extremo oposto do mundo fantasioso imaginado por James Cameron. A ver.
Trilha Sonora
Quem ganha: Pecadores
Quem deveria: Pecadores
Categoria praticamente certa, principalmente pela sequência musical de “I Lied To You” que é a melhor cena de Pecadores e, ao nosso ver, uma das mais bonitas cenas dos últimos anos. Será o terceiro Oscar de Ludwig Göransson (já venceu esta mesma categoria por Pantera Negra e Oppenheimer).
Música Original
Quem ganha: “Golden”, de Guerreiras do KPop
Quem deveria: “I Lied To You”, de Pecadores
Para ser coerente ao prêmio de Trilha Sonora, a fantástica “I Lied To You” é a canção mais marcante entre as indicadas. Contudo, o sucesso estrondoso (e os prêmios conquistados na temporada) de Guerreiras do KPop vai levar a estatueta para a Coreia do Sul.
Documentário
Quem ganha: A Vizinha Perfeita
Quem deveria: Um Zé Ninguém Contra Putin
Diríamos que é uma categoria das mais disputadas. Os indicativos mostram que a produção Netflix A Vizinha Perfeita será a vencedora, mas há boas chances para Um Zé Ninguém Contra Putin e também Alabama: Presos do Sistema.
Melhor curta documentário
Quem ganha: Quartos Vazios
Quem deveria: Quartos Vazios
Comovente curta que se debruça sobre crianças vítimas das tragédias de tiroteios em massa nos EUA. Devido ao impacto emocional de um assunto tão sensível à sociedade estadunidense, o filme dirigido por Joshua Seftel é o grande favorito à vitória.
Melhor curta
Quem ganha: Duas Pessoas Trocando Saliva
Quem deveria: Duas Pessoas Trocando Saliva
Entre os cinco indicados, há bons filmes. Mas apenas uma excepcional obra: Duas Pessoas Trocando Saliva. A Paris distópica imaginada pelos diretores Natalie Musteata e Alexandre Singh é carregada de camadas reflexivas dos dias atuais, com especial protagonismo ao olhar sobre o controle social ao corpo feminino. Um filme único.
Melhor curta de animação
Quem ganha:
Quem deveria:
Todo mundo sabe que o bolão do Oscar se ganha ou se perde a depender das categorias de curtas. Se os curtas live action e documentário este ano estão bem previsíveis, o mesmo não podemos dizer do curta de animação. Três bons filmes podem levar a estatueta: Retirement Plan, Butterfly e The Girl Who Cried Pearls, com leve favoritismo para os dois primeiros. Mas Retirement Plan, lançado pela revista New Yorker, teve uma maior visibilidade nas últimas semanas de votação, o que pode tê-lo beneficiado.


