Em seu primeiro disco em 20 anos, Macalé usa verniz contemporâneo em seu estilo próprio para explorar questões bem atuais

Disco de é evidência do Brasil imerso em trevas
NOTA9

O novo disco de Jards Macalé, Besta Fera, é evidência desse Brasil imerso nas trevas. Ícone da música popular brasileira, ele utiliza o estado atual das coisas no Brasil como inspiração para o seu primeiro disco em quase 20 anos. Acompanhado de nomes como Thiago França, Thomas Harres e Ava Rocha, o álbum agrega referências contemporâneas e se mostra bastante atual, mas, ao mesmo tempo, se liga ao que Jards já produziu.

Kiko Dinucci e Rómulo Fróes tem participação aqui e sua colaboração chega para destacar o estilo de Jards ao mesmo tempo que o conecta com o melhor que vem sendo feito na música BR atual. Foi próximo ao que vimos acontecer com Elza Soares, outro ícone, em A Mulher do Fim do Mundo. O maior triunfo do álbum é a interpretação de Jards, a exemplo de “Trevas”, que dá ideia do sufocamento que vivemos hoje e “Buraco da Consolação”, com Tim Bernardes, que usa ironia para falar de desesperança.

Um dos melhores discos do ano e um dos que melhor refletem os dias que correm.

JARDS MACALÉ
Besta Fera
[Pommelo, 2019]

Foto: Divulgação.

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