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Amazing Spider-Man 700: o fim de uma era

AVISO DE SPOILER: a nota a seguir lida com informações ainda inéditas no Brasil. Leia por sua conta e risco…

 

Depois que a DC zerou a numeração de títulos seminais como Action Comics e Detective Comics – por conta do Restart de 2011 – a revista do Homem-Aranha era uma das mais longevas do gênero de super-heróis. Era…

A primeira edição tem data de capa de março de 1963, depois de uma arrebatadora estreia do escalador de paredes no último número de Amazing Fantasy seis meses antes.

Toda esta história de 50 anos acaba de chegar ao fim. No último dia 26, chegou às bancas norte-americanas a edição 700 de The Amazing Spider-Man (capa acima). É o último número do título, que será substituído por Superior Spider-Man (capa abaixo), a versão do herói numa nova realidade batizada de Marvel NOW!

Principal roteirista do Homem-Aranha há quase cinco anos, Dan Slott declarou em entrevista que a conjunção destes três fatores – os 50 anos do personagem, a marca de 700 edições e o advento de Marvel NOW! – merecia “algo grande”. Aí, ele optou por fazer uma grande merda.

Na trama, o Doutor Octopus, um dos principais inimigos do Aracnídeo, está às portas da morte. Antes, porém, troca de mente com o Homem-Aranha e assume seu corpo, poderes e memórias, inclusive as de Peter Parker. Do outro lado, o herói vê-se preso ao corpo moribundo do vilão.

A edição 700 mostra os esforços do Homem-Aranha para recuperar sua identidade. Ao final, sem alcançar o objetivo, o Aranha (no corpo de Octopus) vem a morrer, mas consegue fazer com que Octopus perceba o verdadeiro significado do que é ser um herói.

Sobre o cadáver do antigo inimigo, Octopus (no corpo do Aranha) faz uma promessa solene de levar adiante seu legado. Mais que isso: garante que será um herói melhor, “superior”. Daí o nome da nova revista.

Slott chegou a receber ameaças de morte por parte de fãs indignados nas redes sociais antes mesmo de a edição chegar às bancas.

Não dá para negar que a história é boa. É coerente dentro do que se propõe, tem nostalgia e dramaticidade. O turning point – o momento em que Octopus decide assumir-se como herói – é bem conduzido. É o tipo de história que cairia muito bem como uma minissérie ou arco fechado. Mas nunca como elemento definitivo da cronologia.

Definitivo? Sim. Slott garante que não se trata de uma fase passageira. Em outra entrevista, chegou a comparar o novo Homem-Aranha a Wally West, quando este assumiu o manto do herói Flash depois da morte de Barry Allen na saga Crise nas Infinitas Terras.

Apesar da decisão equivocada, Slott é bom roteirista. O mesmo não se pode dizer de Humberto Ramos no ofício de desenhista. Sua arte é esquálida, caricata, nojenta.

Para encerrar, veja como Stan Lee respondeu a Dan Slott pelos cumprimentos por seus 90 anos, comemorados dia 28 de dezembro, via Twitter: “Que presente! Alguns caras dão um charuto bacana, um relógio… mas não você! Eu ganhei um Peter Parker morto! Obrigado pelos cumprimentos, meu amigo”.

No Brasil, a morte do Homem-Aranha demora pelo menos um ano para chegar. Quem sabe até lá este pesadelo para os fãs já tenha acabado.

Vale o investimento: Stan Lee – O Reinventor dos Super-Heróis

No final do ano passado, este blog, como de hábito, consultou as editoras que publicam quadrinhos para antecipar os lançamentos de 2012. A resposta do editor Franco de Rosa causou espanto: sua editora Kalaco lançaria a biografia de Stan Lee, escrita por Roberto Guedes.

Tenho o prazer de me corresponder com o autor quase diariamente por meio de uma lista de fãs e ele nunca havia tocado no assunto. Pode ter sido um deslize do Franco ou talvez ele seja tão generoso com as informações como é com todo o resto.

O fato é que o Papo de Quadrinho publicou a notícia com exclusividade no dia 6 de janeiro. Parece pouco, mas não é. Trata-se simplesmente do primeiro livro escrito por um brasileiro a reunir fatos da vida de um dos maiores ícones pop do século passado.

Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis virou realidade no final de maio, com direito a lançamento na Comix Book Shop, que inclusive ficará responsável pela distribuição.

Como é de se esperar numa biografia, o livro parte da infância do protagonista e avança pelos fatos mais marcantes de sua vida pessoal e profissional: o emprego de lanterninha, o ingresso na Timely (antigo nome da Marvel), os primeiros roteiros, o casamento com a modelo britânica Joan, a vida na caserna, a promoção a editor, o nascimento da filha Joan Celia…

Tudo isso intercalado com o panorama da indústria norte-americana dos quadrinhos, do boom no início dos anos 1940 à derrocada no pós-guerra, até chegar à revolução promovida por Lee e Jack Kirby no início dos anos 1960 e o atual sucesso de seus personagens no cinema.

É uma excelente oportunidade para os jovens leitores conhecerem a gênese do Universo Marvel tendo um de seus criadores sob o holofote. Já para aqueles que tiveram algum contato com o assunto, Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis acrescenta pouco, pois, a rigor, são poucos os fatos novos.

Nem por isso o livro deixa de ser interessante. Os fatos são conhecidos, porém acrescidos de depoimentos, muitos inéditos, de artistas e roteiristas que os viveram. Além da vasta pesquisa em sites e revistas estrangeiras, o autor utiliza trechos de entrevistas que fez diretamente com o próprio Stan Lee, Roy Thomas, Steve Englehart e Gerry Conway. Esta mistura de prosa e depoimentos, que em muita lembra o estilo de jornalismo literário, tornam a leitura fluida, agradável e altamente recomendada.

Polêmica

Uma personalidade notória como Stan Lee dificilmente passa pela vida sem provocar algumas desavenças. A mais conhecida, com o artista Jack Kirby, obviamente não podia ficar fora do livro.

Nesta questão, Guedes esforça-se por manter uma postura neutra, calcada nos fatos e opiniões de quem testemunhou a intensa relação entre os dois gênios. Mas, se por um lado, não comete a deselegância de criticar Kirby abertamente, por outro fica clara a simpatia do autor pelo biografado – ou pelo menos pelo seu ponto de vista e o de pessoas próximas.

Só por isso, este livro é mais um ingrediente numa polêmica que já dura décadas e que, até hoje, invariavelmente descamba para um clima de Fla-Flu entre muitos fãs de quadrinhos.

Para aqueles incomodados com este aparente tento a favor de Stan Lee, fica o convite para escreverem sua própria biografia de Jack Kirby. Nós, leitores, só temos a ganhar.

Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis tem 160 páginas, formato 16 x 23 cm e preço de R$ 44,90. Pode ser adquirido nas lojas física e virtual da Comix Book Shop ou diretor com o autor pelo e-mail guedesbook@gmail.com. Vai por mim: vale o investimento.

Dois ótimos lançamentos neste final de semana em São Paulo

Dois bons amigos deste blog – mais virtuais que pessoais, é verdade, mas, ainda assim, bons amigos – apresentam seus novos trabalhos simultaneamente neste sábado (26), na Comix Book Shop (alameda Jaú, 1998).

Raphael Fernandes, editor da MAD brasileira e do site Contraversão, lança o segundo volume de Ditadura no Ar. A HQ nasceu na Internet em julho de 2011 e, no final do ano, ganhou a primeira edição impressa.

Com arte de Abel, a trama acompanha a investigação do detetive Félix Panta para encontrar sua namorada comunista Nina em pleno regime militar brasileiro (veja entrevista com o autor aqui).

O outro lançamento é Stan Lee – O Reinventor dos Super-Heróis, do autor, roteirista, tradutor e estudioso Roberto Guedes, que sai pela editora Kalako – e anunciado com exclusividade, e muito orgulho, pelo Papo de Quadrinho em dezembro do ano passado.

Primeira biografia brasileira do cocriador do Universo Marvel, o livro abrange desde a infância de Lee num bairro pobre de Nova York até os dias atuais. Ilustrado com imagens raras, o livro apresenta passagens curiosas e pouco conhecidas, como o encontro com o mestre dos mangás Osamu Tezuka, a amizade com Bob Kane, e uma visita do cineasta Federico Fellini à redação da Marvel.

Se o leitor mora na capital paulista, não pode perder esta oportunidade.

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