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Evento de quadrinhos na PUC-SP em setembro

HQ-PUC

É sempre muito legal quando o meio acadêmico abre as portas para os quadrinhos. De 2 de setembro a 3 de outubro, a PUC São Paulo (Rua Ministro de Godoi, 969  – Perdizes – SP) abriga a exposição A História dos Quadrinhos no Brasil.

O evento inclui a exposição propriamente dita, feira de gibis oferecida pelas editoras Devir e Peirópolis, palestras, encontros com autores, sessões de autógrafos, workshop sobre fanzines e debates. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público, algumas delas com certificado de participação.

A História dos Quadrinhos no Brasil tem coordenadoria da pesquisadora em Artes Gráficas da PUC, Edilaine Correa, com curadoria de Jal e Gualberto Costa (criadores do Troféu HQMix) e apoio da Associação dos Cartunistas do Brasil e IMAG – Memorial das Artes Gráficas do Brasil.

Entre os convidados estão Fernando Gonsales, Laudo Ferreira, Alex Mir, Gilberto Maringoni, Sonia Luyten, Sidney Gusman e Caeto.

Confira a programação completa:

Exposição A História dos Quadrinhos no Brasil e Feira de Quadrinhos

2 de setembro a 3 de outubro, das 10h às 19h, no Saguão de Exposições

Palestra de abertura: Mercado de Trabalho para a área de Quadrinhos, com Jal e Gualberto Costa

2 de setembro, às 20h, no auditório Paulo VI – Anexo à Biblioteca

Encontro e autógrafos com autores de quadrinhos

Dia 9, às 19h

Benson Chin, Breno Ferreira, Leandro Luigi del Manto e Thiago A.M.S (Devir)

Dia 11, às 19h

Fernando Gonsales (Devir)

Dia 16, às 19h 

Gilberto Maringoni (Devir)

Dia 18, às 19h

Laudo Ferreira e Caeto (Devir e Peirópolis)

23 às 19h

Alex Mir (Peirópolis)

Oficina de fanzine de HQ

Dias 10, 17 e 24, das 19h30 às 20h30, com Gualberto Costa

Debates

Educação e HQ

Dia 19, às 20h, com Jal e Sonia Luyten, no auditório Paulo VI

Encerramento: O futuro das HQs no Brasil

Dia 3 de outubro, às 19h, com Gualberto Costa, Jal e Sidney Gusman, no Auditório Paulo VI

Mais informações: quadrinhosnapuc@bol.com.br

Crítica: Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil

PioneirosEstudoHQ

O livro Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil reúne depoimentos organizados por três especialistas que eu respeito e admiro: Waldomiro Vergueiro, Nobu Chinen e Paulo Ramos (do Blog dos Quadrinhos).

Esses depoimentos são verdadeiras declarações de amor aos Quadrinhos, feitos por seis professores: José Marques de Melo, Álvaro de Moya, Antonio Cagnin, Moacy Cirne, Sonia Luyten e Waldomiro Vergueiro, especialistas que enfrentaram preconceito na própria universidade quando se dedicaram ao estudo da narrativa sequencial. Foram os primeiros, mas não os únicos, a defenderem suas qualidades como objeto de arte e cultura.

Ao falarem em favor dos quadrinhos quando estes eram perseguidos e difamados, estes homens e mulheres tiveram um papel fundamental para nossa compreensão e interesse nas HQs, estimulando o estudo dos gibis como uma mídia especial. Foram carreiras dedicadas a estudar, apresentar e estimular a produção nacional das HQs. As. Os depoimentos são emocionantes, recheados de histórias pessoais que se confundem com a própria história dos Quadrinhos no Brasil.

O lançamento é da Editora Criativo e o livro é recomendadíssimo, em especial para a leitura de educadores, artistas e interessados em entender melhor nossa histórica ligação de amor com os gibis.

5 perguntas para Sonia Luyten

 Sonia Luyten é a maior especialista brasileira em mangás. Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, tem mais de três décadas dedicadas ao estudo, docência e pesquisa dos quadrinhos no Brasil, Oriente e Europa. É autora de vários artigos e livros sobre o tema, com destaque para o livro: “Mangá: o poder dos Quadrinhos Japoneses”.

Sônia responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quem foi o grande responsável pelo interesse dos jovens nos animes e mangás no Brasil? Existe algum marco: filme, desenho ou gibi?
Embora já houvesse algumas publicações de mangá e algumas TVs  mostrando animes no Brasil, o grande boom aconteceu de forma global (e o Brasil entrou neste contexto no final dos anos 1990), com Cavaleiros do Zodíaco, e a Cultura Pop japonesa – como um todo – passou a fazer parte do universo dos jovens brasileiros. Algumas editoras comerciais como a Conrad, JBC e Panini iniciaram a tradução e publicação de mangás que já haviam sido sucesso no Japão. Isto somou-se à febre dos animes, concursos de cosplays e os megaencontros em todo Brasil.

2) A que você atribui esse interesse dos jovens brasileiros pelo mangá, em vez dos tradicionais super-heróis Marvel/DC?
Os motivos são vários. Em primeiro lugar, sempre houve um vazio editorial para o segmento dos adolescentes, que era preenchido com publicações estrangeiras. O Mauricio de Sousa, hoje em dia, faz sucesso com a Turma da Mônica Jovem exatamente por sua boa qualidade e deu continuidade aos fãs fiéis da infância.
Outro fator foi a globalização da Cultura Pop japonesa que – com a difusão pela internet – entrou de cheio no Brasil. Estes jovens, mais do que depressa, passaram a “ver” o que estava acontecendo no mundo. No final dos anos 1990 e início do novo milênio, os super heróis americanos já estavam desgastados. O mangá e anime entraram no gosto do jovem brasileiro (e também de outras partes do mundo) em função de vários fatores: os heróis não são eternos. Eles duram enquanto são publicados. A indústria japonesa sabe fazer seu marketing e eles estão presentes em todo lugar – merchandising, objetos, itens de coleção etc. Os heróis japoneses também são mais humanos. Eles sofrem, são persistentes e lutam por seu ideal. Tem muito a ver com a cultura oriental, de origem confucionista. Por fim, a estética do mangá e anime é muito atraente, vibrante e entrou no gosto internacional.

3) O sucesso comercial de Turma da Mônica Jovem no estilo mangá é uma prova de que para se ter sucesso editorial aqui no Brasil é preciso pensar em desenhar nesse estilo?
Não necessariamente. Não sou contra o desenho em estilo mangá pois o mangá não é propriedade do Japão. Sempre digo que a arte não tem fronteiras.
Os japoneses, no início de sua produção, copiaram o modelo ocidental. Logo perceberam que tanto o conteúdo como o desenho não iam ao encontro do gosto japonês. O próprio criador da palavra mangá, o famoso xilogravurista Hokusai, teve muita influência da Europa, dos gravuristas holandeses.
Acredito que, no Brasil, muitos jovens gostam de fazer HQ  em estilo mangá. Mas não basta. É preciso ter um bom roteiro. Com um bom roteiro pode-se fazer histórias em qualquer estilo. Temos, portanto, que olhar para dentro, procurar algo que o público se identifique. E não ter vergonha de nós mesmos: tanto no estilo como no roteiro. Os japoneses conseguiram isto. Por que não a gente?

4) Os tablets afetam (ou não) o mercado de mangás?
Nenhum meio de comunicação ou inovação tecnológica atrapalha o outro. Com o advento do rádio, o jornal impresso modificou-se, com o advento da TV, o rádio idem. Com a internet, os outros meios de comunicação adaptaram-se a ela. Os tablets vieram para somar e não atrapalhar.

5) Quando nós editores do Papo de Quadrinho conhecemos o mangá, havia basicamente o Akira, o Lobo Solitário, além de uma minissérie, Crying Freeman. Hoje existem centenas de mangás nas bancas brasileiras. Como escolher um entre tantas opções? Você tem alguma dica para facilitar a vida de quem não conhece os títulos e inúmeros subgêneros do mangá?
Se alguém quer se iniciar no mundo dos mangás, deve começar com Osamu Tezuka. Tem várias histórias deles traduzidas no Brasil e também sua vida e obra (da Conrad, da qual fiz a introdução).
Uma obra belíssima é Buda. Vale a pena ler, recomendado para todas as idades.
O básico para anime é também Tezuka (Astro Boy) e  Miyazaki, com inúmeros títulos: La PiutaA viagem de Chihiro, Naushika e Totoro.
No Brasil, editorialmente, não há um segmento definido para o público masculino e feminino como no Japão, mas pode-se escolher entre Sakurai, Dragonball, Samurai X, Death Note (que foi muito bem adaptado no Brasil para uma peça de teatro) Naruto e One Piece.
Para um público mais cult recomendo o mangá Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi. Ele inventou o termo “gekigá”, que significa drama (geki) ilustrado (gá), para designar uma nova maneira de se fazer mangá, com temas adultos, desconcertantes e até cruéis. Fiz também a introdução deste belíssmo exemplar falando de Tatsumi e a retratação das mulheres numa época de pobreza no Japão.

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