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Começa hoje (11), o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos

fiq2015

Até domingo (15), Belo Horizonte se transforma na capital nacional de quadrinhos. De periodicidade bienal, o festival é hoje uma das principais plataformas para a produção nacional independente.

O espaço reservado a estes artistas vai contar com 123 mesas – eram 34 na edição anterior, em 2013. Somados aos convidados, o evento deve reunir cerca de 500 profissionais da nona arte, entre estreantes, veteranos e estrelas de renome internacional.

Na lista de convidados estão nomes como Marguerite Abouet (Costa do Marfim), Jeff Smith (EUA), Gail Simone (EUA), Cameron Stewart (Canadá), Amy Chu (EUA), Howard Chaykin (EUA) e os brasileiros Mauricio de Sousa, Vitor e Lu Caffagi, Laura Athayde, Duke, Lelis, Marcelo D’Salete, Shiko, Fernanda Nia e Bianca Pinheiro, entre muitos, muitos outros.

O homenageado desta edição é Antonio Cedraz, criador da Turma do Xaxado, que faleceu no ano passado.

A ampla programação inclui encontros, exposições, oficinas e um grande número de lançamentos. Confira:

EXPOSIÇÕES

Alves: Cerrado em quadrinhos

Um passeio pelas veredas, matas de galeria, campos e chapadas, do cerrado mineiro através das tiras e desenhos do quadrinista Evandro Alves. O público também pode conferir um painel, que será pintado, ao vivo, durante o evento, pelo artista.

Cedraz: mestre dos quadrinhos

Com curadoria de Lucas Pimenta, a mostra reúne as interpretações de dezenas de quadrinistas dos personagens criados pelo baiano.

Heróica

A imagem e vestuário de super-heroínas e vilãs clássicas dos quadrinhos, Mística, Feiticeira Escarlate, Psylocke, Elektra e Hera Venenosa, reinterpretadas por cinco quadrinistas brasileiras: Estúdio Seasons, Mariana Cagnin, Priscilla Tramontano, Pri Wi e Laura Athayde

A ciência dos super-heróis

Reúne alguns conceitos científicos atuais e tentar pensar alguns famosos heróis dos quadrinhos à luz da ciência e tecnologia plausível.

OUTRAS ATIVIDADES

Auditório Mateus Gandara: Ponto de encontro para bate-papos, debates e atividades interativas, com várias sessões ao longo de cada dia. No espaço também acontece a  abertura oficial do evento e o esperado encontro de Mauricio de Sousa com os fãs.

Gibiteca: Parte do acervo da Gibiteca Antônio Gobbo, da Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, estará disponível para leitura do público. São centenas de títulos dos mais variados gêneros

Oficinas: São dezenas de oficinas tanto básicas, voltadas para o público em geral, como as específicas, direcionadas aos profissionais de quadrinhos. As oficinas masters são ministradas por convidados do evento.

A programação completa está disponível no link: www.fiqbh.com.br/programacao

SERVIÇO

9º Festival Internacional de Quadrinhos

De 11 a 15 de novembro

Das 9h às 22h

Serraria Souza Pinto – Belo Horizonte / MG

Entrada gratuita

Crítica – Piteco – Ingá: Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia

Piteco-Ingá-Capa

O último volume da primeira fase da série Graphic MSP foi lançado no mês passado durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) e está chegando às bancas de todo o Brasil.

Um dos grandes trunfos desta coleção é permitir aos autores imprimir sua visão pessoal sobre o enorme manancial de personagens criados por Mauricio de Sousa.

Em Piteco – Ingá não é diferente. O paraibano Shiko insere elementos da cultura nordestina numa aventura do tempo das cavernas. O próprio título faz referência à Pedra do Ingá, no agreste paraibano, em que constam inscrições datadas de cinco mil anos.

Mas a obra é muito mais que isso. Assim como os outros autores das Graphic MSP (Danilo Beyruth, Vitor e Lu Cafaggi, e Gustavo Duarte), Shiko resgata a mitologia dos personagens para criar um universo novo, adulto.

Na trama, a tribo de Lem, da qual fazem parte os protagonistas Piteco, Thuga, Beleléu e Ogra, precisa mover a aldeia em busca de uma nova área fértil, já que o rio próximo secou. Na véspera da partida, Thuga é sequestrada pelos Homens-Tigre, e seus amigos partem para o resgate. No caminho, enfrentam perigos e encontram divindades do folclore brasileiro.

Por tomar como ponto de partida as inscrições da Pedra do Ingá, a palavra e os símbolos têm grande relevância na história criada por Shiko: escrituras grafadas no leito seco preveem a partida da tribo; cânticos evocam espíritos da floresta; amuletos têm poder.

A própria trama carrega seus simbolismos: o êxodo de Lem remete aos retirantes da seca nordestina; tanto quanto a necessidade, é a fé – materializada em antigas escrituras – que move aquela gente; é o desprendimento de Thuga, convertida numa xamã, que promove a reunião de povos apartados há gerações; a mesma personagem fala a Piteco sobre o amor carnal por meio de belas metáforas.

Shiko arrasa na caracterização dos personagens (veja aqui o preview). Piteco é viril sem ser musculoso; Thuga é sensual, mesmo fugindo do padrão anoréxico de beleza; Ogra é a própria visão da mulher-guerreira na melhor tradição de Edgar Rice Burroughs.

Os drealocks usados pelo povo de Lem e o estilo de suas roupas conferem um visual que mistura cultura rastafári com futuro pós-apocalíptico. É Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia.

Assim como os volumes anteriores de Graphic MSP, Piteco – Ingá é uma obra-prima, leitura obrigatória e uma das melhores HQs do ano. O livro tem 80 páginas, capa e miolo coloridos, e duas opções de preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). Vale muito o investimento.

Veja as primeiras imagens da Graphic MSP “Piteco: Ingá”

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O quarto volume da série que reúne trabalhos autorais estrelados pelos personagens de Mauricio de Sousa – os anteriores foram Astronauta: Magnetar, Turma da Mônica: Laços e Chico Bento: Pavor Espaciar – tem lançamento programado para novembro, durante o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos.

O protagonista da vez é Piteco, que tem suas histórias ambientadas na pré-História. Batizada de Ingá, a graphic novel foi escrita e desenhada pelo quadrinhista e artista plástico paraibano Shiko. O texto de apresentação da quarta capa é de Mike Deodato Jr.

Na tarde de hoje (3), o editor Sidney Gusman manteve a tradição e publicou nas redes sociais as primeiras imagens da obra. Pela prévia, dá para notar o tom realista que Shiko imprimiu ao personagem. A movimentada trama envolve o resgate de Thuga, raptada pela tribo dos homens-tigre.

Piteco: Ingá vai custar R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). No site da Comix ambas versões estão em pré-venda com desconto.

Veja as imagens na galeria abaixo (clique para ampliar):

 

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