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Comix Trip: aplicativo cria oportunidades para o quadrinho nacional

COMIX TRIP

Um aplicativo para compra e leitura de quadrinhos, desenvolvido no Brasil nos moldes dos programas gringos, mas com um diferencial: o conteúdo é exclusivo de HQs nacionais.

Este é o Comix Trip, criado numa parceria entre a editora Qualidade em Quadrinhos e a Business Intelligence, e que entrou oficialmente no ar no dia 30 de janeiro, Dia do Quadrinho Nacional.

O aplicativo tem potencial para resolver um dos principais gargalos da produção nacional, em especial a independente: a distribuição.

Para o autor, as vantagens são muitas: além de fazer seu trabalho chegar a um número maior de leitores, das mais diferentes localidades (inclusive no exterior), o custo de impressão desaparece e ele fica com 40% da venda de cada cópia.

Em termos de mercado, o Comix Trip cria várias oportunidades: mesmo para as HQs já impressas, vendidas e até esgotadas, gera uma nova fonte de renda para os autores; para aqueles que publicam webtiras, pode ser uma forma de monetizar o trabalho; para as editoras, funciona como mais um canal de distribuição.

O leitor também ganha ao ter acesso a quadrinhos que talvez nunca chegassem a ele, e no preço menor do que na versão impressa.

Por ora, o Comix Trip enfrenta algumas limitações: o aplicativo está disponível apenas para plataforma iOs, o que reduz a base de leitores a proprietários de dispositivos da Apple. A versão para Android está prometida para breve. Também é necessário portar um cartão de crédito internacional para fazer a compra.

O maior obstáculo talvez seja cultural: a compra de quadrinhos digitais ainda não faz parte do hábito dos brasileiros, conforme indicou a pesquisa do Papo de Quadrinho “Quem é o leitor brasileiro de quadrinhos”. Alexandre Montandon, sócio-diretor da Qualidade em Quadrinhos, vê nisso mais uma oportunidade de crescimento do que um obstáculo.

Para atingir todo seu potencial de fomento à produção nacional de quadrinhos, o Comix Trip precisa se expandir. No momento, há 48 obras no catálogo, três delas gratuitas para degustação – Feliz Aniversário, Minha Amada, Jesus Rocks (ambas de Brão Barbosa) e Bira Zine 2 (Bira Dantas) – e duas lançadas exclusivamente no aplicativo em formato digital: Aí o Pau Quebra (Rico) e Rua Paraíso (Amorim).

No catálogo, há também trabalhos de autores premiados, como André Diniz, Flavio Luiz, Felipe Cagno, Omar Viñole, Will, Daniel Esteves, Carlos Ruas, Gian Danton e outros.

Quanto maior o catálogo, maior o número de leitores e o volume de vendas. Autores interessados em colocar suas HQs à venda no Comix Trip podem entrar em contato pelo e-mail hq@comixtrip.com.br. Para entrar no catálogo, os trabalhos precisam passar pela aprovação de um conselho editorial.

A Chave do Universo: HQ apresenta fundamentos do Eneagrama

Você sabe o que é um Eneagrama? Nem eu sabia. Apesar de se tratar de um símbolo milenar, chegou ao Ocidente apenas no início do século 20 e acredito que ainda poucas pessoas o conheçam.

Para ajudar a suprir esta lacuna, o quadrinhista Alexandre Timmers Montandon acaba de lançar A Chave do Universo – As Nove Máscaras e o Eneagrama pelo selo BooHQ, de sua própria editora e estúdio Qualidade em Quadrinhos.

O livro foi um dos projetos selecionados pelo ProAC 2010, programa de fomento à produção de quadrinhos do Governo do Estado de São Paulo.

Por meio de uma “aula”, o Criador apresenta o Eneagrama da Personalidade a nove crianças – cada uma delas representando um arquétipo da personalidade segundo a teoria do Eneagrama.

O símbolo é formado por um círculo, um triângulo e uma figura de seis pontas chamada héxade. Cada ponto em que as figuras centrais tocam o círculo representa um dos diferentes aspectos e potencialidades do ser humano.

Obviamente que o livro de Montandon se presta a fazer, de forma lúdica, uma breve introdução ao Eneagrama. Pela própria complexidade do tema, em duas passagens o autor deixa de lado a narrativa em quadrinhos e passa para o texto corrido, a fim de detalhar melhor cada uma das “máscaras” ou aspectos das nove personalidades.

O traço de Montandon é limpo e bastante estilizado, e dá a A Chave do Universo uma cara de quadrinho para crianças – o que não bate com a complexidade do conteúdo.

A rigor, não se trata também de uma “história” em quadrinhos no sentido de narrar um acontecimento ou trama; o que o autor faz é lançar mão da linguagem sequencial para transmitir os fundamentos do Eneagrama com o suporte de imagens e diálogos.

Para quem gosta de estudar teorias de autoconhecimento o livro é um boa pedida. Parte da diversão está em tentar relacionar cada uma das nove “máscaras” consigo mesmo ou algum conhecido ou, então, estabelecer paralelos com os arquétipos utilizados por outras técnicas, como, por exemplo, astrologia, numerologia e tarô.

A Chave do Universo é muito bem editado, tem 64 páginas, formato 21 x 28 cm, capa e miolos coloridos e custa R$ 39,90.

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