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Vale a pena conhecer “Parábola”, nova HQ digital de Demétrio Braga

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Num mundo que mistura ficção científica e mitologia grega (com pitadas de astrologia), um inexplicável fenômeno provoca o desaparecimento de um dos 12 deuses/príncipes que dominam a geopolítica daquela realidade.

Em busca de respostas, um grupo de emissários se vê obrigado a enfrentar a fúria da deusa da Lua, Ártemis, quando um novo e inusitado jogador surge e coloca tudo de pernas para o ar.

Este é um resumo do primeiro verso do primeiro capítulo de Parábola, nova HQ digital com roteiro e arte do cearense Demétrio Braga.

A sinopse chama os deuses/príncipes de “demônios” e o jovem misterioso de “exorcista”, o que talvez seja uma pista de que os eventos mostrados nessa primeira parte da história não sejam de fato o que parecem.

Demétrio tem um traço firme e uma narrativa bastante dinâmica em que cabe até uma brincadeira metalinguística.parabola_pag

O autor garante que sua meta é atualizar a HQ com pelo menos um “verso” de aproximadamente 10 páginas por mês.

A criação do logo e a revisão são de Zé Wellington, premiado roteirista de Quem matou João Ninguém? e Steampunk Ladies.

Vale muito a pena conhecer Parábola. A HQ está disponível aos assinantes do serviço Social Comics e pode ser lida gratuitamente também no site oficial , aqui e aqui.

“Overdrive: Contos de Undercity”, de Luciano Cunha, está na Social Comics

 

Overdrive

Do Press-Release

O streaming de histórias em quadrinhos disponibiliza para seus assinantes, desde 13 de julho, Dia Mundial do Rock, uma publicação exclusiva para os fãs do gênero: a HQ Overdrive: Contos de Undercity, de Luciano Cunha.

A trama é dividida em sete capítulos e narrada por Lemmy, um cara que viu de tudo e sabe de tudo. As histórias foram lançadas originalmente em 2009 e possuem diversas referências ao universo do rock.

Com mais de 20 anos de carreira, Luciano Cunha teve sua primeira experiência com quadrinhos ainda nos anos 1980, quando trabalhou na equipe que produziu os gibis “Menino Maluquinho”, de Ziraldo.

Ele já produziu artes para diversos meios de comunicação e, em 2013, lançou nas redes sociais o personagem O Doutrinador, um dos maiores sucessos recentes do país, com duas edições impressas no Brasil e fãs na Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha, França, China, Japão e Estados Unidos.

Overdrive: Contos de Undercity é a terceira publicação exclusiva da Social Comics, depois de Diário de um Super, de Eric Peleias, e Edgar Alan Corvo, da dupla Douglas MCT e Glauco Silva.

Para ter acesso a estas e a todo acervo de 2.000 HQs, é preciso assinar o serviço, que hoje custa R$ 19,90 por mês. É possível testar a plataforma gratuitamente por 14 dias.

“Travessias”: nova HQ nacional, digital e independente

 

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Não bastassem todos estes atributos, a obra ainda reúne alguns dos principais artistas da atual produção de quadrinhos brasileiros: Will (Passagens & Paisagens, em parceria com a escritora Mônica Lan), Alexandre Montandon (Cristóvão e o Segredo do Tempo), Lillo Parra e Toni D’Agostinho (As Muitas Vidas de Gustavo Boa Morte), Aloísio de Castro (O Encontro), André Diniz e Marcela Mannheimer (Muzinga), Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (Cadernos de Viagem).

Outro diferencial é que Travessias – O Fantástico Cotidiano em Quadrinhos é uma iniciativa do mesmo pessoal do Comix Trip, nova plataforma de distribuição de HQs digitais exclusivamente nacionais. A obra está disponível na loja a partir de hoje (14) ao preço de US$ 1,99. É preciso baixar o instalar o aplicativo, gratuito, ainda disponível somente para dispositivos com sistema iOS.

Travessias tem 79 páginas coloridas e será bimestral, formada por histórias seriadas. Nesse primeiro número, a única completa é O Encontro, do “artista convidado” Aloísio de Castro. A ideia é que elas sejam lançadas em álbuns impressos ao final de cada arco.

Papo de Quadrinho teve acesso com exclusividade à primeira edição e recomenda a leitura.

Comix Trip: aplicativo cria oportunidades para o quadrinho nacional

COMIX TRIP

Um aplicativo para compra e leitura de quadrinhos, desenvolvido no Brasil nos moldes dos programas gringos, mas com um diferencial: o conteúdo é exclusivo de HQs nacionais.

Este é o Comix Trip, criado numa parceria entre a editora Qualidade em Quadrinhos e a Business Intelligence, e que entrou oficialmente no ar no dia 30 de janeiro, Dia do Quadrinho Nacional.

O aplicativo tem potencial para resolver um dos principais gargalos da produção nacional, em especial a independente: a distribuição.

Para o autor, as vantagens são muitas: além de fazer seu trabalho chegar a um número maior de leitores, das mais diferentes localidades (inclusive no exterior), o custo de impressão desaparece e ele fica com 40% da venda de cada cópia.

Em termos de mercado, o Comix Trip cria várias oportunidades: mesmo para as HQs já impressas, vendidas e até esgotadas, gera uma nova fonte de renda para os autores; para aqueles que publicam webtiras, pode ser uma forma de monetizar o trabalho; para as editoras, funciona como mais um canal de distribuição.

O leitor também ganha ao ter acesso a quadrinhos que talvez nunca chegassem a ele, e no preço menor do que na versão impressa.

Por ora, o Comix Trip enfrenta algumas limitações: o aplicativo está disponível apenas para plataforma iOs, o que reduz a base de leitores a proprietários de dispositivos da Apple. A versão para Android está prometida para breve. Também é necessário portar um cartão de crédito internacional para fazer a compra.

O maior obstáculo talvez seja cultural: a compra de quadrinhos digitais ainda não faz parte do hábito dos brasileiros, conforme indicou a pesquisa do Papo de Quadrinho “Quem é o leitor brasileiro de quadrinhos”. Alexandre Montandon, sócio-diretor da Qualidade em Quadrinhos, vê nisso mais uma oportunidade de crescimento do que um obstáculo.

Para atingir todo seu potencial de fomento à produção nacional de quadrinhos, o Comix Trip precisa se expandir. No momento, há 48 obras no catálogo, três delas gratuitas para degustação – Feliz Aniversário, Minha Amada, Jesus Rocks (ambas de Brão Barbosa) e Bira Zine 2 (Bira Dantas) – e duas lançadas exclusivamente no aplicativo em formato digital: Aí o Pau Quebra (Rico) e Rua Paraíso (Amorim).

No catálogo, há também trabalhos de autores premiados, como André Diniz, Flavio Luiz, Felipe Cagno, Omar Viñole, Will, Daniel Esteves, Carlos Ruas, Gian Danton e outros.

Quanto maior o catálogo, maior o número de leitores e o volume de vendas. Autores interessados em colocar suas HQs à venda no Comix Trip podem entrar em contato pelo e-mail hq@comixtrip.com.br. Para entrar no catálogo, os trabalhos precisam passar pela aprovação de um conselho editorial.

HQ nacional “Depois da Meia-Noite” ganha versão digital

 icon-edicao2A minissérie em três edições escrita e desenhada por Laudo Ferreira, e arte-finalizada por Omar Viñole, foi lançada originalmente de forma independente em 2007, e ganhou o Prêmio HQ Mix como Melhor Publicação Independente Especial.

Agora, numa parceria entre o Estúdio Banda Desenhada, de Laudo e Omar, e a empresa Caos Developers, a HQ chega em versão digital. Entre os recursos aplicados estão ambientação em áudio (que pode ser desativada) e animação de elementos nos quadros de algumas páginas.

A trama é centrada no misterioso assassino em série Meia-Noite, que vem atuando há décadas, e na investigação realizada por um detetive todo certinho e sua parceira viciada em heroína.

Inicialmente, Depois da Meia-Noite está disponível apenas para dispositivos com sistema iOs e pode ser baixada na Apple Store. A Caos Developers está estudando da viabilidade de versões para Android e Windows Phone, sem previsão de lançamento até o momento.

A primeira edição pode ser baixada de graça; as outras duas vão custar 99 centavos de dólar – a segunda estará disponível no dia 15 de junho.

O próximo fruto da parceria é a versão digital e em e-book da coletânea de tiras do Coelho Nero, de Omar Viñole.

Nossa opinião

A indústria de quadrinhos, tanto nacional quanto estrangeira, ainda está tateando esse admirável mundo novo que são as mídias digitais.

Algumas experiências não vão além da simples página impressa preenchendo a tela, enquanto outras abusam tanto dos recursos de áudio e animação que se afastam da essência da narrativa gráfica.

Papo de Quadrinho baixou a primeira edição digital de Depois da Meia-Noite e concluiu que a publicação está trilhando um caminho correto, dos muitos possíveis. A Caos Developers parece ter encontrado o meio termo entre os dois extremos citados acima.

Os recursos multimídia foram usados de modo a não se sobreporem à narrativa gráfica convencional; ao contrário, acrescentam “informações” à trama por meio do tom sombrio da trilha sonora, de elementos animados e de “efeitos especiais” que antecipam acontecimentos da página seguinte – como a tela preenchida por buracos de bala e o som de tiros.

Alguns recursos poderiam melhorar a experiência da leitura, especialmente na tela pequena do iPhone: a opção de zoom e a leitura quadro a quadro, semelhante ao sistema de navegação Guided View do Comixology.

De todo modo, Depois da Meia-Noite representa não só um avanço na produção nacional digital, mas, mais importante, indica o caminho.

Considerando a produção prolífica da dupla Laudo e Omar, se este modelo se viabilizar financeiramente poderemos ter nas nossas telas, num curto espaço de tempo, obras importantes como Yeshuah, Histórias do Clube da Esquina e Auto da Barca do Inferno.

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