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Tag: O Quarto Vivente

Exclusivo: Novo álbum de Luciano Salles sai em outubro

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Nem bem seu mais recente lançamento, L’Amour 12 oz, saiu do forno – o lançamento foi em dezembro na Comic Con Experience – e Luciano Salles anuncia seu novo projeto.

Limiar: Dark Matter está com o roteiro finalizado e revisado, e tem previsão de lançamento em outubro deste ano. Segundo o autor, a HQ conta a história de vingança de dois amigos sob o ponto de vista das lembranças de um deles, morto. “O ensejo da trama é de que somos apenas memória e isso se aplica para tudo, inclusive ao universo”.

Salles destaca também que, de forma inconsciente, acabou criando um arco entre seu novo trabalho e os anteriores, O Quarto ViventeL’Amour: 12 oz.

Vale o Investimento: “O Quarto Vivente”, de Luciano Salles

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por Gabi Franco, especialmente para o Papo de Quadrinho

O ano é 2.177 e o mundo já não existe mais como você o conhecia.

Há uma nova ordem cartográfica mundial, pois em 2.089 um reagrupamento das placas tectônicas praticamente esmigalhou a Europa e a Ásia em pequenas ilhas. O Brasil foi um dos países que fraternalmente acolheu os sobreviventes do estrago. Do que sobrou da França, mais especificamente.

Neste futuro, existem novos países chamados de Repúblicas Federativas Fraternais, ou Repúblicas Socialistas Fraternais e as UFs, Uniões Fraternais, países que, como o Brasil, receberam sobreviventes do grande cataclisma, e foram se reorganizando conforme a demanda.

Movimentos revolucionários, guerrilhas, religiões, partidos, agremiações e outras formas de agrupamentos foram, de modo gradual e natural para a época, dissipando-se. O planeta e sua nova configuração foram a base de uma severa mudança no pensamento da humanidade.

No Brasil não foi diferente. Já não agimos como antigamente. Já não nos alimentamos como antes, não falamos o bom e velho português como antes! Não nos comportamos, nos vestimos e, o mais importante: já não nos relacionamos mais como costumávamos fazer. Não há mais interesse na socialização e interação, e assim como o planeta, o homem fragmentou-se, perdeu sua característica de animal social.

O coletivo não existe mais. Todos pensam e vivem somente pra si.
A casualidade, a imprevisibilidade da vida não existe. Todos os nossos atos são friamente pré-calculados, às vezes, mesmo antes de sermos concebidos. Nossa morte é planejada logo no ato do nascimento: a própria concepção como conhecemos não existe.

Famílias existem, mas os gêneros, não mais.

Filhos são escolhidos e gerados com alto padrão de qualidade genética em programas patrocinados pelo governo, que remunera as pessoas a fim de recolher material genético da mais alta eficiência. A expectativa de vida do brasileiro é de 108 anos.

De quatro poderes, as autoridades se resumiram a apenas um: a Políciamável, com policiais que utilizam poder telecinético em vários níveis.

É nesse Brasil distópico e magistralmente idealizado que esbarramos em Juliett- e em sua insatisfação constante com os rumos da humanidade -, que culmina em uma decisão radical que pode impactar seu futuro e que nos faz refletir sobre o nosso.

Logo na primeira leitura a HQ causa estranheza pela forma como é escrita (em uma espécie de dialeto brasileiro do futuro), mas aos poucos vamos criando empatia com a personagem central e partilhando de seus sonhos e frustrações, nos identificando com sua inadequação àquela realidade e reconhecendo-nos em cada quadrinho.

Fica impossível falar mais sem dar spoilers ou sem implicar em uma explicação pessoal e intransferível.

Essa é a segunda HQ autoral de Salles, lançada da mesma forma independente queo o HQzine Luzcia, a Dona do Boteco, no ano passado.

O Quarto Vivente é uma HQ de ficção científica visualmente linda, e seu roteiro traz grandes doses de filosofia e poesia. Quem gosta do gênero vai identificar ali influências de Moebius, Phillip K Dick, Jodorowsky, Paul Pope, Orwell, Tezuka, David Lynch, Lourenço Mutarelli, Laerte, entre outros, tanto na arte como no roteiro, ambos desenvolvidos pelo autor, Luciano Salles. Vale o investimento.

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