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Tag: Luiz Gê

Revista Plaf #3 discute como os quadrinhos veem a história brasileira

A terceira edição da revista Plaf tem como um dos assuntos principais o olhar dos quadrinhos sobre a história brasileira.

Como arte plural, as HQs trouxeram contribuições para o entendimento de diferentes acontecimentos de nossa história, como a escravidão e a ditadura, entre outros.

Confira os destaques da edição:

  • Artigo sobre como autores estão atentos à importância do passado para refletir o presente
  • Ensaio sobre o imaginário do Nordeste nas histórias em quadrinhos e como essas produções ajudaram a desconstruir (ou reforçar) preconceitos sobre o território e seus habitantes
  • Artigo trata da importância de Angelo Agostini, o brasileiro pioneiro na gênese das HQs no Brasil e no mundo
  • Releitura crítica da Tico-Tico, uma das primeiras e mais populares revistas em quadrinhos do País.
  • Um papo com Luiz Gê, autor que desde a ditadura militar fez dos quadrinhos e do humor gráfico sua arma por um país verdadeiramente democrático. Gê ainda colaborou com a edição com uma charge inédita na página saideira da revista.
  • HQs inéditas de Aline Lemos, artista que assina a capa da edição, e do talento promissor de Pernambuco, Jota Mendes.

A Plaf tem edição de Dandara Palankof, Carol Almeida e Paulo Floro.

A revista será vendida a R$ 15 em diferentes pontos de venda em cidades como Recife, São Paulo, Curitiba, Brasília, Goiânia, João Pessoa, entre outros (veja a lista atualizada aqui) e na loja virtual.

O lançamento acontece no dia 6 de dezembro, a partir de 19h, no Ursa Bar e Comedoria, no Recife, com presença de DJs, sessão de autógrafos e entrada gratuita.

A publicação tem patrocínio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura, do Governo do Estado de Pernambuco e é uma realização da Revista O Grito!, site sobre arte e cultura com sede no Recife.

Série sobre quadrinho nacional estreia amanhã (14) na HBO

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Do Press-Release 

A série HQ – Edição Especial estreia no dia 14 de julho, às 23h, exclusivamente no canal HBO. Ao longo de 10 episódios semanais de uma hora de duração, será apresentada a história dos quadrinhos no País por meio dos diferentes perfis e estilos de seus principais artistas (confira aqui os dias e horários de exibição).

Produzida pela RT Features, a série apresenta o cenário da produção de quadrinhos no Brasil em episódios dedicados a universos distintos, como o império de Mauricio de Sousa, o mundo de Ziraldo, os personagens de Angeli, a visão de Laerte, o estilo underground de Mutarelli e a obra dos gêmeos Bá e Moon.

A produção explora também os movimentos coletivos e a história da nona arte no Brasil. Desde de Angelo Agostini, um dos primeiros artistas de quadrinhos do mundo, aos quadrinhos de gênero, passando pela invasão brasileira na indústria de super-heróis americanos até a nova geração de quadrinhistas independentes.

O episódio de estreia, Primeira Era, apresenta o cenário do quadrinho brasileiro no século XX com a disputa pelo mercado entre os empresários Adolfo Aizen e Roberto Marinho, responsável pela difusão das histórias em quadrinhos no País.

O segundo episódio, O Império, mostra toda a trajetória do Mauricio de Sousa, desde a infância até o sucesso dos quadrinhos, que inclusive já ocuparam outros segmentos, como TV, cinema, teatro, parques temáticos, brinquedos e produtos diversos.

Os episódios seguintes são: Ziramundo (sobre Ziraldo), O Velho Cartunista (Angeli), Laertevisão (Laerte), Mutante (Lourenço Mutarelli), Made in Brazil (Renato Guedes e Mike Deodato), Maus e Humorados (André Dahmer, Arnaldo Branco e Allan Sieber), Dois irmãos (Fábio Moon e Gabriel Bá) e Os Anos 10.

Entre os convidados dos episódios estão Gonçalo Junior, Franco de Rosa, Álvaro De Moya, Mauricio de Sousa, Mônica Sousa, Sidney Gusman, Carolina Guaycuru, Laerte Coutinho, Luiz Gê, Fábio Zimbres, Rafael Albuquerque, Rod Reis, Jaguar, Duda Carvalho, André Diniz, Gustavo Duarte, Pedro Cobiaco e Vitor Cafaggi.

HQ – Ediçao Especial é produzida por Roberto Rios, Maria Angela de Jesus, Paula Belchior e Patricia Carvalho, da HBO Latin America Originals; Rodrigo Teixeira e Raphael Mesquita, da RT Features, com recursos da Condecine – Artigo 39.

Avenida Paulista, de Luiz Gê: Um espetáculo visual

Avenida Paulista é provavelmente uma das histórias menos lidas e mais aclamadas da história dos quadrinhos brasileiros. Em boa parte porque, originalmente, foi uma encomenda para a Revista Goodyear, de circulação restrita a clientes, revendedores, distribuidores e outros públicos ligados à empresa.

Publicada em 1991 com o nome Fragmentos Completos, esta edição lançada pela Quadrinhos na Cia. é, portanto, a primeira vez em que a história chega ao público em geral. E que história!

Luiz Gê dispensa apresentações. Ao lado de Laerte, Angeli, Glauco e outros, foi um dos expoentes no novo quadrinho brasileiro surgido nos anos 1980. Seu estilo característico é um espetáculo visual, principalmente na construção de grandes cenários.

Avenida Paulista é resultado de uma ampla pesquisa história e iconográfica, e conta a história dos primeiros 100 anos da avenida-símbolo de São Paulo. Seu nascimento é resultado direto do crescimento econômico da cidade com a cafeicultura e a chegada das ferrovias. E, assim, Gê vai narrando sua evolução desde uma travessia de bois, passando pela transformação em point da aristocracia paulistana, com seus bulevares e casarões, até o atual estágio de centro nervoso do capitalismo financeiro.

Toda essa trajetória, Luiz Gê o faz com um misto de ficção e realidade, de cenários e situações surrealistas. Um dos recursos mais bem empregados para ilustrar a velocidade das transformações se dá no descolamento de alguns personagens no tempo, como se a avenida tivesse vida própria e pudesse mudar toda sua paisagem num atravessar de ruas. Textos intercalados aos quadrinhos vão completando o entendimento do leitor com o pano de fundo histórico e social.

O único ponto negativo é que, na penúltima parte, a narrativa assume um tom panfletário desnecessário. O neoliberalismo é apontado como o culpado pela deterioração da avenida. Gê cita o aumento das dívidas pública e externa no início dos anos 1990, mas não lembra que a inflação era superior a 1.000% ao ano; lamenta a privatização das empresas de telecomunicação, mas não menciona a universalização da telefonia no País; afirma que “por sorte” o Brasil se desvencilhou do neoliberalismo, mas não assume que sem a estabilidade do Plano Real os governos seguintes não teriam nem base sobre a qual crescer.

Felizmente, na última parte o autor retoma o tom otimista e prevê um mundo mais humano, participativo, de tecnologia voltada ao bem-estar – e traduz tudo isso num visual quase bucólico de morros retomando o lugar dos edifícios envidraçados. Um futuro melhor, sem dúvida.

Avenida Paulista tem 88 páginas, capa e miolo coloridos, formato 21 x 27 cm e preço de R$ 39. Vale o investimento.

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