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“Overdrive: Contos de Undercity”, de Luciano Cunha, está na Social Comics

 

Overdrive

Do Press-Release

O streaming de histórias em quadrinhos disponibiliza para seus assinantes, desde 13 de julho, Dia Mundial do Rock, uma publicação exclusiva para os fãs do gênero: a HQ Overdrive: Contos de Undercity, de Luciano Cunha.

A trama é dividida em sete capítulos e narrada por Lemmy, um cara que viu de tudo e sabe de tudo. As histórias foram lançadas originalmente em 2009 e possuem diversas referências ao universo do rock.

Com mais de 20 anos de carreira, Luciano Cunha teve sua primeira experiência com quadrinhos ainda nos anos 1980, quando trabalhou na equipe que produziu os gibis “Menino Maluquinho”, de Ziraldo.

Ele já produziu artes para diversos meios de comunicação e, em 2013, lançou nas redes sociais o personagem O Doutrinador, um dos maiores sucessos recentes do país, com duas edições impressas no Brasil e fãs na Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha, França, China, Japão e Estados Unidos.

Overdrive: Contos de Undercity é a terceira publicação exclusiva da Social Comics, depois de Diário de um Super, de Eric Peleias, e Edgar Alan Corvo, da dupla Douglas MCT e Glauco Silva.

Para ter acesso a estas e a todo acervo de 2.000 HQs, é preciso assinar o serviço, que hoje custa R$ 19,90 por mês. É possível testar a plataforma gratuitamente por 14 dias.

“O Doutrinador”: justiça pelas próprias mãos

doutrinador

O Doutrinador é mais um exemplo, entre muitos, da relevância da internet para a produção independente de quadrinhos.

O designer gráfico Luciano Cunha percorreu a via crucis de todo quadrinhista talentoso com uma ideia na cabeça e um pincel na mão. Bateu à porta de várias editoras e recebeu as negativas de praxe.

No seu caso, há uma agravante. O Doutrinador é protagonizado por um tipo específico de justiceiro: um assassino a sangue-frio de políticos corruptos e daqueles que se empoleiram no poder para benefício próprio.

No primeiro tratamento da obra, lembra Luciano no posfácio, ele manteve não só a aparência das vítimas, conhecidos políticos brasileiros, mas também seus nomes verdadeiros. Não é mesmo o tipo de trabalho que uma editora aceitaria.

A saída foi publicar na internet, já com mudanças, primeiro na linha do tempo do autor no Facebook, depois numa fanpage (que conta hoje com mais de 34 mil seguidores), e finalmente num site próprio.

Os primeiros capítulos de O Doutrinador começaram a ser postados em abril de 2013. Dois meses depois, as manifestações de rua que se espalharam por todo o país potencializaram a audiência do personagem.

Nem dá para chamar de “golpe de sorte”. À sua maneira, tanto a obra de Luciano quanto os protestos têm a mesma origem: o descontentamento com seguidos desmandos da classe política.

Com a popularidade crescente e a história concluída – e ainda sem uma editora interessada – Luciano partiu para a produção independente e lançou seu personagem em versão impressa, uma edição caprichada com 84 páginas, papel de qualidade, capa e miolo coloridos.

Nossa opinião

O Doutrinador é uma obra de ficção e, como tal, deve ser analisada pelo seu caráter simbólico. A obra expressa o justo sentimento de revolta contra o Estado burocrático, corrupto e injusto, que cobra altos impostos e não oferece a contrapartida adequada em saúde, educação, segurança e bem-estar.

Expressa, também, a dificuldade de certos grupos e pessoas em conviver no ambiente democrático. Ao assumir o papel de juiz, júri e carrasco, por conta própria e sem legitimidade, o Doutrinador adquire ares de fascismo e age da mesma forma, ou pior, do que aqueles que combate.

O Doutrinador é o terrorista V num regime democrático; é o Justiceiro que mata corruptos, mas ignora o bandido comum. Com o personagem da Marvel, guarda mais uma coincidência: sua motivação política nasce da perda pessoal; sem ela, talvez continuasse cego às injustiças sociais.

Luciano tem traço preciso e domínio narrativo. Ousa na diagramação, nos ângulos e faz bom uso dos recordatórios. O Doutrinador é uma obra que merece ser lida, conhecida, não só pelo esforço do autor em publicá-la, mas também por suas qualidades como narrativa gráfica.

O personagem tem o direito de ser julgado pelos leitores. Um julgamento que o próprio Doutrinador nem sempre garante às suas vítimas.

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